joão Doria e Jair Bolsonaro
Clauber Cleber Caetano/PR
joão Doria e Jair Bolsonaro

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta segunda-feira (16) que a ação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de tocar em manifestantes durante a crise do novo coronavírus foi inadequada. Neste domingo (15), Bolsonaro encostou em pessoas que participavam de um ato pró-governo e contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal , após ter aconselhado, na última sexta-feira (13), que o evento fosse cancelado para evitar a propagação da doença, que se trasmite por contato físico.

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"Foi uma participação inadequada e um mal exemplo do presidente da República. Mal exemplo como cidadão, mal exemplo com chefe de estado, um mal exemplo como chefe da nação", argumentou Doria  em coletiva de imprensa. O governador afirma que Bolsonaro, como presidente, deveria ter sido o primeiro a dar o bom exemplo e não o contrário.

Tanto o Ministério da Saúde como a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo orientaram, na sexta, que quaisquer eventos que levem a aglomeração de pessoas, com públicos superiores a 500 pessoas, fossem cancelados ou adiados. Dessa forma, foi solicitado pelo próprio presidente que o ato, que era pró-governo, fosse cancelado. Os manifestantes, no entanto, decidiram ir às ruas de diversas cidades pelo Brasil.

A orientação de evitar aglomerações visa dificultar que pessoas que tenham sido contaminadas por coronavírus  transmitam a doença. Muitas vezes, a COVID-19 não apresenta sintomas, facilitando que o vírus seja transmitido. Isso ocorre porque o indivíduo pode ter a falsa impressão de que não irá contaminar outras pessoas e, assim, tocá-las despreocupadamente. O recomendado é que se evite o contato físico, principalmente com pessoas acima de 60 anos.

"É lamentável, eu lamento como brasileiro e lamento, também, como governador de São Paulo que o presidente do meu País não tenha sensibilidade e, em uma hora tão difícil da vida e da saúde de milhões de brasileiros, tenha dado o pior exemplo", afirmou o tucano.

Na última semana, o presidente chegou a realizar o teste para o coronavírus após seu Secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, ter contraído a doença em uma viagem que ambos fizeram aos Estados Unidos. O exame de Bolsonaro deu negativo, mas mais de 10 pessoas que participaram da viagem estão com COVID-19.

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"Espero que ele tenha humildade, bom senso e orientação para a partir de agora liderar o processo de atendimento à saúde pública no seu país e dar bons exemplos em vez de dar maus exemplos", concluiu Doria .

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