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Alan Santos/PR
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De folga em Guarujá , no litoral sul paulista, o presidente Jair Bolsonaro reúne-se nesta sexta-feira  (10) com desafetos políticos do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cotado como pré-candidato presidencial em 2022.

Os prefeitos de São Vicente, Pedro Gouvêa (MDB), de Guarujá, Valter Suman (PSB), e o deputado estadual Caio França (PSB), filho do ex-governador Márcio França (PSB), visitaram no fim da manhã o presidente no Forte dos Andradas, onde o presidente está hospedado em um hotel militar. Segundo a assessoria do prefeito de São Vicente, o encontro foi a convite de Bolsonaro.

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Gouvêa e Doria travaram um embate público em torno das obras de recuperação da Ponte dos Barreiros, em São Vicente, que está interditada desde o fim de novembro, prejudicando cerca de 150 mil pessoas. Em dezembro, Doria visitou o litoral paulista e acusou o prefeito de São Vicente de falta de responsabilidade e de atitude para resolver os problemas que levaram à interdição da ponte. O governador afirmou também que Gouvêa não deveria jogar a responsabilidade para os governos estadual e federal. Já o prefeito reclamou da falta de apoio financeiro do governo estadual.

Em meio às críticas de Doria ao prefeito, Bolsonaro anunciou a destinação de R$ 58 milhões para obras na ponte, e reforçou ontem o apoio do governo federal ao município, durante uma live no Facebook.

A Ponte dos Barreiros é a principal ligação entre as áreas continental e insular de São Vicente e foi fechada para o tráfego de veículos por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, depois que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) identificou risco de desabamento.

Mais desafetos

Acompanhando o prefeito de São Vicente na visita a Bolsonaro, o deputado Caio França também é desafeto de Doria. Márcio França, pai do parlamentar, disputou a reeleição ao governo do Estado em 2018 contra o tucano.

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Valter Suman, prefeito de Guarujá, é do mesmo partido de França e tem uma boa relação com o presidente.

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Em seu único evento oficial desta sexta-feira, divulgado na agenda presidencial, Bolsonaro deve dividir o palanque com o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), outro adversário político de Doria, durante a inauguração do novo pronto socorro da Santa Casa de Misericórdia de Santos.

Aliado do ex-governador Geraldo Alckmin, o prefeito de Santos criticou Doria durante as eleições de 2018 e acusou o correligionário de traição, oportunismo eleitoral e de agir por projetos pessoais de poder. Barbosa apoiou Márcio França na disputa pelo governo do Estado contra Doria. Para Barbosa, o governador paulista teria traído Alckmin e o PSDB ao cogitar disputar a Presidência em 2018.

Eleição de 2022

De olho na eleição presidencial de 2022, Bolsonaro e Doria também têm exposto publicamente suas divergências. O atual governador chegou a pedir o voto "BolsoDoria" na campanha de 2018, mas tem buscado manter distância do presidente, para mostrar-se como alternativa a Bolsonaro.

Ontem, Bolsonaro desmentiu Doria durante sua live no Facebook e negou que o governo federal pretende privatizar ainda este ano os portos de Santos e São Sebastião. "O senhor está completamente desinformado", disse Bolsonaro. "Quando o senhor for presidente da República... daí é fácil. Só se empenhar, estar ao lado da verdade, trabalhar pelo seu Estado, ajudar a sua polícia que o senhor chegará [lá] um dia. Então, lamento, jogou pressão em cima da gente e não deu certo", afirmou sobre a demanda de Doria de privatizar os portos em 2020.

Bolsonaro chegou ontem ao Guarujá, onde deve ficar descansando até terça-feira.

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