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Presidente da Câmara se refere ao cálculo de que, com 72 dias de descanso por ano, juízes e membros do Ministério Público terão 7 anos de férias ao fim de 35 anos de trabalho. O dobro de um trabalhador comum

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iG Economia
Rodrigo Maia quer debater questão com o judiciário.

Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é preciso um "debate transparente" sobre os 60 dias de férias dos juízes federais e estaduais . Ele diz que, no ano que vem, provavelmente virá à tona a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que impede o pagamento de salários acima do teto.

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"Isso custo para o Estado em média sete anos de serviço. Não que você vá impor isso ao outro Poder, porque eles vão derrubar, mas chamá-los para o debate. Falar ó: é bom que se faça também a (reforma administrativa) do Poder Judiciário. Se eles não quiserem, tudo bem, a gente faz só do Legislativo e do Executivo. Vai ficar uma distorção, mas a nossa intenção não é o conflito com o Poder Judiciário".

Maia se refere ao cálculo de que, com 72 dias de descanso por ano, juízes e membros do Ministério Público terão 7 anos de férias ao fim de 35 anos de trabalho. O dobro, portanto, de um trabalhador comum com carteira assinada.

"O que eu acho que, em relação ao Poder Judiciário, é inevitável, e eu segurei até agora para não dar conflito, mas não consigo segurar mais, é exatamente a questão do salário, do teto e do extra-teto deles".

No segundo semestre, líderes partidários chegaram a discutir, na Câmara, uma proposta para impedir o pagamento de supersalários de juízes no serviço público, mas a proposta acabou não indo adiante em 2019. As férias de 60 dias acarretam gastos também porque acabam sendo convertidas em indenizações, com gastos milionários para os tribunais.

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"Eu não consigo mais segurar o Parlamento. Esse conflito vai acabar aparecendo no próximo ano. É importante também que seja com diálogo. Tanto o presidente da Ajufe (federais) como a nova presidente da AMB (estaduais) têm uma boa relação com a gente. Vamos ver o que a gente constrói, mas não será fácil atender as demandas, principalmente dos tribunais dos Estados, que têm mais penduricalhos do que a Justiça Federal".