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Suprema Corte mudou entendimento que tinha desde 2016 e passou a permitir que réus condenados fiquem em liberdade até o último recurso

Multidão de manifestantes no meio da avenida Paulista arrow-options
Reprodução/Twitter
Manifestantes estão concentrados em frente a FIESP

Manifestantes fazem um ato neste sábado (9) na avenida Paulista, em São Paulo, para pedir a volta da constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância. A concentração começou por volta das 16h em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

Na última quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou o entendimento que tinha sobre o tema desde 2016 e determinou que réus condenados em segundo grau de jurisprudência podem ficar em liberdade até que se esgotem todas as possbilidades de recursos –o trânsito em julgado, na linguagem jurídica.

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A mudança permitiu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixasse a prisão da superintendência da Polícia Federal , em Curitiba. Ele já cumpria pena há 580 dias, desde abril do ano passado, no caso do tríplex do Guarujá, no litoral de São Paulo. O petista foi condenado por recebimento de propina da empreiteira OAS por meio de um apartamento.

Chegaram a participar da manifestação a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e também Guiga Peixoto (PSL-SP), General Peternelli (PSL-SP) e Adriana Ventura (Novo-SP). Também presente, a procuradora Thaméa Danelon, do Ministério Público Federal (MPF), afirmou que a decisão do STF foi um retrocesso no combate à corrupção.

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Outro que compareceu foi o empresário Luciano Hang, apoiador de Bolsonaro, que foi muito requisitado para fotos na multidão.

Também houve espaço para ataques ao STF e à imprensa. Em seu discurso, o advogado Modesto Carvalhosa disse que a decisão da Corte é como um golpe de Estado. Para ele, os seis ministros que votaram a favor da execução da pena somente quando o processo transitar em julgado são "canalhas". "Eles são bandidos", gritou Carvalhosa, sob aplausos.

Nos cartazes, o público acusava o STF de "vergonha nacional" e "corja de bandidos". Já a TV Globo foi tratada pelos manifestantes como "Globolixo".

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No final da tarde de hoje, a atriz Regina Duarte, que tem carreira na emissora, pegou o microfone para fazer seu discurso e foi interrompida por vaias direcionadas à empresa na qual trabalha. Nesse momento ela foi interrompida pelo público, que hostilizou um helicóptero da Globo que sobrevoava o local. 

Incomodada, Regina parou de falar e se voltou depois que a deputada Carla Zambelli pediu que ela pudesse terminar. "Gente, pelo amor de Deus. Essa é uma empresa que tem uma história. E tem uma programação que não é só o Jornal Nacional, que não é só determinados...", completava a atriz quando foi novamente interrompida.