Marielle
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Em nota, viúva de Marielle se disse surpreendida por informações que chegam pela imprensa

A arquiteta Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, morta em março de 2018 no Centro do Rio, divulgou nota nesta terça-feira (29) reivindicando acesso às informações das  investigações do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, que correm sob segredo de Justiça. A arquiteta diz, no texto, que um "pedido de informações sobre os autos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça" foi negado pelo STJ.

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Sem citar a reportagem do Jornal Nacional sobre conteúdo dos registros de visitas do Condomínio Vivendas da Barra, na Zona Oeste do Rio, onde mora o sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa, suspeito de matar Marielle e Anderson, Mônica afirma que vem sendo "surpreendida por informações muito importantes, de forma dolorosa, por meio da imprensa".

A viúva da vereadora diz ainda que esperar que as "instituições brasileiras responsáveis pela realização da justiça investiguem com profundidade e isenção, o envolvimento de toda e qualquer pessoa que possa ter algum tipo de relação com esse crime hediondo. A nota termina com Mônica afirmando que "o Brasil hoje deve ao mundo que quer saber: Quem mandou matar Marielle e por quê?"

A íntegra da nota da nota assinada por Mônica Benício:

"Uma dor que já dura quase 600 dias. As notícias relacionadas à execução de uma vereadora democraticamente eleita, em exercício de seu mandato, sejam elas quais forem, são gravíssimas. Porque a situação é gravíssima! Grave, porque fere o direito à vida. Grave, porque fere a democracia. Grave, porque há mais de um ano e sete meses não tenho a resposta para o que aconteceu. A verdade é que a resposta para quem mandou matar Marielle e quais foram as motivações desse crime não trará nem ela, nem Anderson de volta. Mas é preciso falar da dor para além da política, e é desse lugar que vem minha voz ou que ecoa meu silêncio."

" É preciso dizer que, nos últimos dias, mais uma vez, fui surpreendida por informações muito importantes, de forma dolorosa, por meio da imprensa. Informações cujo acesso me é negado sob a justificativa de que as investigações correm sob segredo de Justiça. Desde o início do caso, tenho dedicado minha vida a acompanhar o processo de perto e a cobrar justiça. Solicitei, desde o início, acesso aos processos e inquéritos que apuram os autores, mandantes e a motivação do crime que levou ao assassinato da minha esposa. A mais recente recusa se deu no pedido de informações sobre os autos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça.

"Defendo que o processo ocorra de maneira segura, comprometido com a verdade dos fatos, mas que seja de forma transparente respeito o direto de acesso da família. De um lado sofro com a falta de informação, de outro com a imprensa me perguntando sobre algo que não pude acessar. Além de muito doloroso, é inaceitável e inconstitucional que à família seja negado o direito de acompanhar integralmente a apuração deste caso, ao mesmo tempo que a sociedade brasileira e o mundo exigem uma resposta. A recusa de dar o direito a um acompanhamento completo do caso só me gera mais sofrimento. Nesse momento, só me cabe dizer que espero que todas as instituições brasileiras responsáveis pela realização da justiça investiguem com profundidade e isenção, o envolvimento de toda e qualquer pessoa que possa ter algum tipo de relação com esse crime hediondo."

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"Os responsáveis devem ser identificados e devidamente responsabilizados pelo que fizeram para que nunca mais algo parecido possa voltar a ocorrer nesse país. Em nome de todo o amor que sinto por Marielle e respeito que tenho à democracia do meu país, a única coisa que espero das autoridades brasileiras é justiça. E essa satisfação o Brasil hoje deve ao mundo que quer saber: Quem mandou matar Marielle e por quê?"

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