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Ao participar de evento para advogados e estudantes, o ministro do STF disse que cenário brasileiro é ruim, mas que se constrói uma "nova ordem"

Ministro Barroso com o livro da Constituição nas mãos arrow-options
Carlos Moura/SCO/STF - 23.4.2019
Barroso disse que o Brasil passa por uma "transição" para uma "nova ordem"

O ministro Luis Roberto Barroso , do Supremo Tribunal Federal (STF), falou em uma "onda de negatividade" que atinge o Brasil ao citar a Lava Jato durante uma palestra para advogados e estudantes nesta sexta-feira (25) em Santo André, no ABC paulista. Segundo o ministro, o avanço de investigações de corrupção, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff , em 2016 e a perda de renda "afetaram a autoestima" da população. Apesar do cenário negativo, Barroso disse, no entanto, que ele, como membro do Supremo tem a obrigação de defender instituições para restabelecer essa confiança.

Durante o evento, que também teve a presenção do procurador Deltan Dallagnol , Barroso ainda fez duras críticas ao sistema político brasileiro. "É caro demais e pouco representativo. O eleitor não sabe quem cobrar e o político não sabe a quem prestar conta", afirmou.

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Ao falar sobre corrupção, o ministro do STF defendeu que ela não é algo que aconteceu somente nos últimos anos. "É uma corrupção sistêmica, mas não só de um único partido, é da classe política como um todo, que apropriou do Estado para benefícios privados", disse.

Apesar das críticas feitas, Barroso se afastou de fazer comentários políticos citando casos específicos e disse que toda essa análise valia para o período "até 31 de dezembro de 2018".

Durante toda sua participação no evento, realizado dois dias depois de ele ter dado voto a favor da manutenção do entendimento do STF do cumprimento de pena condenatória após decisão em segunda instância, o ministro não falou sobre o caso. Na saída, ele também não quis falar com a imprensa.

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O resultado parcial do julgamento está em 4 a 3 a favor de prisão após o segundo grau jurisdicional. A sessão foi suspensa no final da tarde desta quinta-feira (24) sem os votos dos ministros Gilmar Mendes, Carmem Lúcia, Celso de Mello e Dias Toffoli. A pauta deve voltar á Corte nos dias 6 ou7 de novembro em uma data que ainda será confirmada pelo presidente do Supremo, Dias Toffoli, na próxima segunda-feira (28).