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Líder do partido na Câmara desde a última segunda-feira, Eduardo afirma que 'ninguém aguenta mais' exposição das divergências internas da sigla

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Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Após crise interna, Eduardo virou novo líder do PSL na Câmara.

O líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP), diminuiu o tom nesta terça-feira e indicou que as divergências internas do partido, expostas ao longo das últimas semanas, devem ser superadas. Mais cedo, o presidente da legenda, deputado Luciano Bivar (PE), havia minimizado a possibilidade de o comando da sigla intervir no diretório de São Paulo e afastar Eduardo da presidência estadual.

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"Chega uma hora que ninguém aguenta mais. Não é produtivo manter isso (troca de acusações) durante um longo prazo. As farpas foram trocadas, e agora chegamos no day after disso tudo",  disse o líder do PSL .

Mesmo com as declarações públicas amenizando o conflito, os dois grupos – pró-Bivar e aliados do presidente Jair Bolsonaro – continuam se movimentando. O Conselho de Ética do PSL abriu prazo de cinco dias para Eduardo e outros 18 deputados se manifestarem sobre a acusação de que cometeram indisciplina partidária. Do outro lado, o líder na Câmara escolheu 13 nomes para ocupar as vice-lideranças do partido na Casa – todos do grupo que se opõe a Bivar.

Apesar dos atos concretos, Eduardo afirmou que “o pior da turbulência já passou”:

"Inspirado no presidente (Bolsonaro), vou dar um exemplo do casamento. Já vi até casal divorciado voltar a se casar. Por que não voltar a reunir todo mundo na bancada? Tem espaço pra gente trabalhar com relação a isso. A gente não precisa morrer de amores uns pelos outros, mas, como falei, voltar a focar nas pautas que interessam ao país. Mais uma vez, me comprometo (como líder) a não fazer qualquer tipo de retaliação, não é do meu estilo. Estou vendo do outro lado também atitudes que vão ao encontro dessa questão de botar panos quentes", disse Eduardo.

O líder do PSL evitou até mesmo criticar abertamente a ex-líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann , com quem vem discutindo publicamente desde o início da crise. Joice é aliada do Bivar e foi tirada do cargo por Bolsonar depois de ter assinado uma lista que defendia que o deputado Delegado Waldir (GO) fosse mantido na liderança do PSL na Câmara, em detrimento de Eduardo. Na segunda-feira, a parlamentar disse que assessores de Eduardo, do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) mantêm perfis falsos em redes sociais para atacar adversários.

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"Cabe a ela (Joice) provar. Eu não tenho conhecimento de nada disso. Eu me reservo o direito de não falar sobre Joice. A gente está caminhando para um momento de apaziguar. Falar qualquer coisa relativa nominalmente a um deputado ou outro só vai abrir a ferida e vai dar continuidade nessa questão que ninguém aguenta mais, que é essa confusão do PSL ", afirmou Eduardo Bolsonaro.