Deputada do PSOL, Isa Penna, denunciou ameaças de morte e estupro após recitar poema na Alesp
José Antonio Teixeira/Alesp
Deputada do PSOL, Isa Penna, denunciou ameaças de morte e estupro após recitar poema na Alesp

A deputada estadual Isa Penna (PSOL-SP) registrou um boletim de ocorrência, na última quinta-feira (17), por ameaças de morte e estupro . Ela recebeu várias mensagens ofensivas depois de ter recitado o poema "Sou puta, sou mulher" , da poeta Helena Ferreira, no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), no começo do mês.

"Vaca feminista idiota, vai morrer, piranha" e "vou te estuprar e afogar na banheira" eram algumas das mensagens enviadas à deputada do PSOL por um homem a sua conta no Instagram. Numa das ameaças, o ofensor também enviou uma imagem na qual ele próprio segura uma arma de fogo, com o rosto descoberto.

Em 3 de outubro, Isa Penna subiu à tribuna para reprovar o projeto do deputado Altair Moraes (Republicanos), que prevê o critério biológico como único princípio de seleção de jogadores em atividades esportivas, excluindo a identidade social de transgêneros na separação de equipes masculinas e femininas.

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"Sou puta. Quando uso a boca vermelha. Meu salto agulha. E meu vestido preto. Sou puta. Mordo no final do beijo. Não fico reprimindo desejo". Os primeiros versos do poema indignaram os parlamentares. O deputado Douglas Garcia (PSL) afirmou que iria pedir a cassação do mandato da colega.

Isa diz que já foi ameaçada outras duas vezes neste ano. "Essas ameaças vêm sempre que a gente se envolve em alguma polêmica que tem a ver com os direitos das mulheres ou qualquer coisa que fale sobre direitos dos corpos das mulheres, das pessoas LGBT", diz ela. "Num momento em que a gente está vendo o caos tomando o país, ameaças como essa são sintomáticas. Os fascistas se sentem mais à vontade para ameaçar", acrescenta.

A deputada afirma que, por mais que se preocupe com a sua vida, ela não tem medo desse tipo de ameaça. O registro do boletim de ocorrência, segundo ela, foi feito para evitar que aconteça com outras pessoas "mais vulneráveis" que ela.

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"Eu sei exatamente contra quem eu estou brigando e entrei nessa sem medo nenhum. Eu digo que não tenho medo não porque não possa acontecer. Mas, se acontecer, serve para deixar registrado que não tem nenhuma vítima indefesa aqui. Tem uma mulher que sabe exatamente que as mulheres não podem alcançar o poder sem que sejamos assediadas, desqualificadas, ameaçadas ou assassinadas", completou a deputada do PSOL .

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