Gilmar Mendes e Rodrigo Janot
Rosinei Coutinho e Carlos Moura/SCO/STF
Segundo fotografia, Janot e Gilmar nutriam relação amistosa na juventude.

A relação entre o ex-procurador da República Rodrigo Janot e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) já foi amistosa. Uma foto de 20 de agosto de 1988, revelada pelo GLOBO, mostra os dois bebendo vinho em um passeio de barco em Colônia, na Alemanha. O clima da foto é bem diferente de quando Janot entrou armado no Supremo com a intenção de matar Gilmar e depois cometer suicídio. O episódio foi lembrado pelo próprio Janot em entrevistas publicadas nesta quinta-feira pelos jornais “O Estado de S. Paulo”, “Folha de S.Paulo” e pela revista “Veja”.

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Janot e Gilmar passaram no concurso do Ministério Público em 1984. Quatro anos depois, durante viagem na Alemanha, se encontraram e resolvem passar o dia juntos. Durante um passeio de barco pelo Reno, entre um gole e outro de um barato vinho Riesling alemão, conversam sobre o Ministério Público, a Constituinte, a redemocratização. Tudo em clima de camaradagem, como registra a foto . No barco, além de Mendes e Janot, estavam também os procuradores Wagner Gonçalves e Guilherme Magaldi, hoje já aposentados.

Após a viagem, cada um seguiu um caminho. Após voltar de um mestrado na Alemanha, Mendes trabalhou no governo dos ex-presidentes Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso e, num intervalo entre os dois governos, assessorou o ex-ministro Nelson Jobim na Revisão Constitucional de 1993. Nunca mais voltou ao MP. Só saiu do governo para ocupar uma vaga no STF.

Janot, que fez mestrado na Itália, se manteve na carreira, presidiu a Associação Nacional dos Procuradores da República e, como chefe da Procuradoria-Geral nos últimos quatro anos, liderou a Lava-Jato, a investigação que colocou sistema político do país em xeque.

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Segundo relato à “Veja”, Janot diz que chegou a engatilhar a arma, ficou a menos de dois metros do ministro , mas não conseguiu efetuar o disparo. O motivo da ira foi um ataque de Gilmar à filha do então procurador-geral .

“Naquele dia, cheguei ao meu limite. Fui armado para o Supremo. Ia dar um tiro na cara dele e depois me suicidaria. Estava movido pela ira. Não havia escrito carta de despedida, não conseguia pensar em mais nada. Também não disse a ninguém o que eu pretendia fazer”, conta o ex-PGR.

Janot também afirmou que tentou mudar a arma de mão quando não conseguiu atirar com a destra.

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“Esse ministro costuma chegar atrasado às sessões. Quando cheguei à antessala do plenário, para minha surpresa, ele já estava lá. Não pensei duas vezes. Tirei a minha pistola da cintura, engatilhei, mantive-a encostada à perna e fui para cima dele. Mas algo estranho aconteceu. Quando procurei o gatilho, meu dedo indicador ficou paralisado. Eu sou destro. Mudei de mão. Tentei posicionar a pistola na mão esquerda, mas meu dedo paralisou de novo. Nesse momento, eu estava a menos de dois metros dele. Não erro um tiro nessa distância. Pensei: ‘Isso é um sinal’. Acho que ele nem percebeu que esteve perto da morte”, lembra.

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