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Nomes aprovados pela executiva paulista, responsável por dar o aval a candidato na disputa pela prefeitura, são rivais da deputada federal

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Marcos Brandão/Agência Senado
Deputada federal Joice Hasselmann

Numa jogada que deve criar obstáculos à candidatura de Joice Hasselmann (PSL-SP) à Prefeitura de São Paulo, o diretório estadual, presidido por Eduardo Bolsonaro, aprovou nesta semana uma nominata para criar o órgão na esfera municipal. Quando implementado, o diretório se incumbirá de dar aval ao nome que disputará o pleito.

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A iniciativa deve servir para que o partido lance um nome novo à campanha à sucessão de Bruno Covas, numa estratégia que bate frontalmente com as intenções políticas de Joice Hasselmann . A lista com os nomes de quem deve ocupar o diretório municipal deve ser submetida ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta semana.

No documento para formação do diretório, obtido pelo GLOBO e que pode sofrer alterações até ser submetido, consta o nome de Edson Salomão como presidente. Chefe de gabinete do deputado estadual Douglas Garcia e líder do Movimento Conservador, Salomão é desafeto de Joice. Ele a critica abertamente por ter se lançado à disputa sem ter dialogado com o PSL de São Paulo. A deputada rebate e diz não haver mais ninguém na legenda com tanta "musculatura" para concorrer.

Cabe ao diretório municipal de cada partido promover sua convenção para a escolha de candidatos, segundo o TSE. Depois de eleger os dirigentes, os partidos têm de encaminhar aos respectivos Tribunais Eleitorais os dados da composição, além de seu tempo de vigência.

A manobra do diretório estadual do PSL tem o objetivo de passar um recado ao que chamam de "ala fisiológica" da legenda, da qual fazem parte Joice, o deputado Júnior Bozzella e Major Olimpio. O órgão paulista é presidido por Eduardo Bolsonaro. Ao seu lado estão o vice, deputado Gil Diniz, além de membros da chamada "ala ideológica", como os deputados Carla Zambelli e Luiz Phillippe de Orleans e Bragança.

A irritação com Joice Hasselmann é apenas um dos motivos para a jogada do grupo de Eduardo. No centro do conflito está o controle do partido, hoje nas mãos de Luciano Bivar. Inchado de uma eleição para outra com políticos de diferentes matizes, quando deixou de ser um partido nanico para se tornar a segunda maior bancada na Câmara, o PSL é tido como um partido de pouca identidade. A disputa, segundo interlocutores, é pela "alma do PSL".

O confronto fratricida no partido do presidente Jair Bolsonaro deve se intensificar com a criação do diretório. É improvável que Joice, a mais votada da Câmara dos Deputados em 2018, não dispute as eleições de 2020. Se o PSL não lhe der a legenda para concorrer, ela pode migrar para outro partido. O deputado Alexandre Frota e a senadora Selma Arruda (MT) já saíram.

Além de Edson Salomão, constam na nominata os nomes de Eric de Castro Roma como vice-presidente, e André Petros, coordenador nacional do Movimento Conservador e protagonista de um bate-boca com integrantes do MBL em um protesto pró-governo em junho. O restante dos integrantes é ligado a grupos conservadores e ao escritor Olavo de Carvalho, e é adepto do movimento Escola Sem Partido.

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A nomeação de Salomão foi costurada pelo deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança, primeiro secretário da executiva estadual, e Otavio Oscar Fakhoury, tesoureiro-geral. Além de emitir um sinal ao grupo rival, a criação de um diretório ocupado por ativistas conservadores é um aceno à militância radical do PSL. O eleitorado mais à direita não raramente cobra dos eleitos mais identificação com a pauta conservadora.

Procurados, Joice Hasselmann e o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, não responderam.