Juíza Selma sofre pressão para deixar o PSL e foi criticada no Senado por sua declaração sobre mulheres na política
Pedro França/Agência Senado - 15.5.19
Juíza Selma sofre pressão para deixar o PSL e foi criticada no Senado por sua declaração sobre mulheres na política

Na corda bamba após o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) decidir pela cassação de seu mandato por abuso de poder econômico e caixa dois, a senadora Juíza Selma (PSL) enfrenta também pressão de seus próprios colegas no Senado. Em entrevista à "Folha de S.Paulo", ela disse ter sido pressionada para retirar sua assinatura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da "Lava Toga", relatou grito do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e afirmou que " mulher não gosta de política".

Quando questionada sobre a investigação do PSL por candidaturas de laranjas, ela disse que "(em Mato Grosso), se teve, foi quieto" e que "obrigar a ter cota é pedir para ter laranja, até porque mulher não gosta de política". Segundo ela, "não é uma tradição nossa ter mulheres na política" e que foi criticada no Senado por conta dessa opinião.

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Na última terça-feira, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, assinou um parecer defendendo a cassação do mandato da senadora e a realização de novas eleições para preencher a vacância. No mesmo dia, Selma divulgou uma nota afirmando que avalia deixar o PSL por conta de pressões pela derrubada da CPI.

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Ela afirmou que o processo que enfrenta na Justiça a deixou "mais vulnerável" para ser pressionada a inviabilizar a instauração da investigação. Ao jornal, a senadora afirmou que foi procurada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e por Flávio Bolsonaro para retirar sua assinatura. Segundo a juíza aposentada, o filho do presidente Jair Bolsonaro gritou com ela ao telefone.

Juíza Selma disse que recebeu convites de outros partidos, mas que não vai mudar sua posição de apoio ao governo. Também afirmou que não vai tirar sua assinatura de apoio à abertura da CPI, apesar da pressão dos colegas.

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A criação do colegiado, entretanto, não deve sair facilmente. Embora o senador Major Olímpio (PSL-SP) tenha comemorado nas redes sociais a conquista da 27ª assinatura para pedir a instalação da CPI que investigaria tribunais superiores, o grupo ainda deve enfrentar dificuldades para convencer Alcolumbre. Ele tem repetido aos senadores que não cabe ao Legislativo investigar magistrados dos tribunais superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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