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Emanoel Santos Melo relata que os bombeiros queriam tirar a mãe, de 88 anos, do local sem máscara; equipe também impediu que ele acompanhasse

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Barbara Dias/Zimel Press/Agencia O Globo
Número de mortos subiu para 11 durante a madrugada desta sexta-feira

"Minha mãe foi assassinada", disse Emanoel Santos Melo, de 61 anos, filho de Luzia Santos Melo, de 88, primeira vítima identificada do  incêndio no hospital Badim , no Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira (12).

No Instituto Médico-Legal, ele relatou que estava como acompanhante da mãe no hospital desde quarta-feira, quando Luzia foi internada no CTI do G1 no primeiro piso, por problemas de hipertensão que evoluíram para problemas pulmonares.

Ele relatou que, antes do incêndio , houve uma falta momentânea de energia no hospital e 20 minutos depois, uma explosão, seguida de cheiro de óleo diesel. As equipes começaram então a remoção dos pacientes. Segundo Emanoel, não havia máscaras para proteger os pacientes da fumaça:

"Eles queriam tirar minha mãe sem máscara. Aí eu fiquei doido. Falei que precisava ter uma máscara. O que é isso? Aí, eu percorri a área onde fica a enfermagem. Estava tudo abandonado já e encontrei uma só. Coloquei na minha mãe. Tirei a camisa que usava e tapei o rosto para poder sair. Não tinha ninguém orientando. Nós que fomos procurar a saída. Minha mãe estava no box 2. Por estar longe da saída, ela praticamente foi a última a ser retirada do CTI", relatou.

Ele contou ainda que, na saída do hospital, os bombeiros impediram que ele acompanhasse a mãe: "Me deram um soco no peito". Sem notícias do paradeiro de Luiza, Emanuel ainda rodou por hospitais e delegacias da região até ter, às 3h15, a confirmação da morte da mãe no próprio Badim.

O filho da vítima estava revoltado com o atendimento oferecido pelo Badin: "Minha mãe foi assassinada. Ela tinha 88 anos? Sim. Tinha probabilidade de falecer? Sim. Mas não desse jeito".

Ele afirmou que pretende processar o hospital e o Corpo de Bombeiros: "Ela estava lúcida, estava tranquila, ela estava respirando normalmente e tudo mais. O que eles fizeram? Deixaram minha mãe ficar, assim como os demais, para morrer. Então eu digo: houve um assassinato. Nós vamos processar esse hospital", afirmou Emanoel.

"Eles vão pagar judicialmente pelo que eles fizeram. E se for possível eu vou acionar o Corpo de Bombeiros pelo que eles fizeram comigo e com os demais. Eles não são esses heróis que estão dizendo por aí não", completou. 

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Os parentes das vítimas do Hospital Badim que foram ao IML reconher os corpos foram encaminhados para um auditório, para receber um atendimento mais reservado.