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Nome do deputado, que é um dos aliados do presidente Jair Bolsonaro, teria sido incluído de forma fraudulenta na investigação da corporação

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Marcos Corrêa/PR - 29.8.19
Ministro quer saber por que o nome do deputado foi envolvido em investigação da PF

O ministro da Justiça, Sergio Moro , determinou à Polícia Federal que investigue suposta fraude de policiais federais numa investigação sobre o deputado Hélio Negão (PSL-RJ) , um dos mais próximos aliados do presidente Jair Bolsonaro. Num ofício endereçado ao diretor-geral em exercício da Polícia Federal, Disney Rossetti, Moro  determina "imediata apuração dos fatos no âmbito administrativo e criminal, com a identificação dos responsáveis".

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O ministro exige também ser informado "sobre os desdobramentos" da investigação. O ofício foi enviado nesta segunda-feira, no primeiro dia de férias do titular do comando da PF, Maurício Valeixo. O pedido de Moro tem como base uma nota publicada na sexta-feira pela "Veja" e depois pela "Folha de S. Paulo" de que haveria uma investigação contra Hélio na PF.  A revista afirma que esse seria o real motivo da polêmica ingerência de Bolsonaro e a possível troca de comando da instituição.

A investigação seria sobre uma outra pessoa, mas com o mesmo apelido do deputado amigo de Bolsonaro . Moro argumenta que, segundo o texto do jornal, o nome do deputado teria sido incluído de forma fraudulenta na investigação "com o aparente intuito de manipular o governo federal contra a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro".

Atritos com a PF

No mês passado, numa entrevista na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse, sem ser perguntado, que o superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi , seria afastado do cargo por problema de "gestão" e "produtividade". A vaga dele seria ocupada por Alexandre Saraiva, superintendente da PF no Amazonas.

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A declaração de Bolsonaro foi considerada uma intervenção do presidente na PF. Até então nenhum outro presidente da República falara publicamente sobre troca de superintendentes, cargo administrativo e de segundo escalão da polícia. Numa nota, divulgada logo depois da entrevista de Bolsonaro, Valeixo informou que Saadi sairia sim, mas por vontade própria.

O diretor-geral afirmou também que Saadi seria substituído por Carlos Oliveira, superintedente da PF em Pernambuco, e não por Saraiva. Nos dias seguintes, Bolsonaro disse que, diante da polêmica da indicação dele para a superintendência no Rio, ele mesmo trocaria o diretor-geral da PF à revelia de Moro. A explicação era de quem manda é ele, o presidente, e não o ministro da Justiça.

Na sequência da pressão do presidente, Valeixo entrou em férias por dez dias. Agora, em mais uma capítulo da crise, Moro pede que a polícia investigue suposta fraude cometida por policiais no curso de uma ação política.