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Álvaro José Novis tornou-se delator da Lava-Jato e operacionalizava entrega de propina ao ex-governador; Garotinho foi preso nesta terça-feira (3)

Sérgio Cabral arrow-options
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Sérgio Cabral

O Ministério Público do Estado do Rio aponta que os pagamentos de propina feitos ao casal de ex-governador Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, presos nesta terça-feira (3) , eram feitos por Álvaro José Novis, delator na Lava-Jato e o mesmo que operacionalizava a entrega de vantagens indevidas ao ex-governador Sérgio Cabral.

Os  pedidos de prisão de Rosinha e Garotinho foram feitos em razão de investigações sobre superfaturamento em contratos celebrados entre a Prefeitura de Campos e a construtora Odebrecht, para a construção de casas populares dos programas Morar Feliz I e Morar Feliz II durante os dois mandatos de Rosinha como prefeita (2009/2016).

A Odebrecht contava com sofisticado mecanismo operacionalizado no âmbito do denominado Setor de Operações Estruturadas para o pagamento de propinas. As planilhas extraídas do Sistema Drousys foram entregues pelos réus colaboradores da empreiteira. Nelas, havia o codinome do beneficiário direto, valor, data do pagamento e, em alguns casos, até mesmo a obra vinculada ao pagamento da quantia, por exemplo, “Casas Campos II”. Novis fazia entregas para a Odebrecht e, nesse contexto, fazia os pagamentos do dinheiro destinado ao casal de ex-governadores, de acordo com o MP estadual. Os promotores apontam ainda a Transportadora Transmar também fazia entregas do esquema.

Novis, da Hoya Corretora de Valores e Câmbio, foi detido em janeiro de 2017 na Operação Eficiência . Era considerado pelos investigadores o operador financeiro do esquema de cobrança de propinas comandado por Cabral. Cabia a ele fazer os pagamentos dos valores acertados entre as empreiteiras e o Palácio Guanabara. Muitas vezes, como o Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF) apuraram, Novis transportava e entregava dinheiro vivo. O operador era conhecido pelo codinome "Enrolado" e foi preso ela primeira vez,  na 26ª fase da Lava-Jato, denominada Operação Xepa  , em 22 de março de 2016.

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As investigações apontam que houve o recebimento do valor de R$ 25 milhões em vantagens indevidas pagos pela Odebrecht a título de propina, enquanto a prefeitura amargava prejuízos de, no mínimo, R$ 62 milhões em razão do superfaturamento das obras, que não chegaram a ser concluídas.