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Mensagens vazadas revelam que o procurador entrou em contato com Moro, Onyx e até com senadores citados em delações da Lava Jato; entenda

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José Cruz/Agência Brasil - 10.8.2016
Procurador Deltan Dallagnol - coordenador da força-tarefa Operação Lava Jato

O procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol fez lobby com senadores, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo de Jair Bolsonaro para tentar emplacar Vladimir Aras, seu colega no Ministério Público Federal, como Procurador-Geral da República. É o que revelam os novos diálogos obtidos pelo site The Intercept Brasil e divulgados pelo portal  UOL nesta sexta-feira (16).

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As mensagens mostram que Deltan e Aras começaram a articular a candidatura no período eleitoral, após Bolsonaro vencer o 1º turno. Por conta disso, Aras, que atualmente é procurador regional da República, pediu a Deltan que conversasse com Sergio Moro sobre sua candidatura a PGR. Moro era juiz na época, mas já era visto como alguém próximo ao agora presidente. 

"Fala com Moro sobre minha candidatura a PGR. Com Bolsonaro eleito, vou me candidatar", diz Aras, no dia 11 de outubro. "Para ter contexto, qual o objetivo de falar com ele agora? Pedir o apoio dele qdo for ministro do STF? rs", responde Deltan. "Claro. Tem toda chance", completa. 

Aras diz ainda que já chegou a falar com Moro e cita Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil. "Conseguimos articular sua indicação. Temos várias pessoas pra chegar lá. Várias pessoas que se associaram a nós na luta contra a corrupção", responde Deltan. No dia 14, o procurador volta a entrar em contato com o colega: "Peço reserva, mas Moro confirmou pra mim que vc é o candidato que ele vai defender". 

No dia 19, o candidato pediu que Deltan o apresentasse para Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, alegando precisar de "aliados no STF". "Prov em março vou prai pra dar uma aula magna em uma faculdade com o dia livre e marcamos c eles", responde o procurador.

De acordo com o UOL, Deltan chegou a conseguir um convite para um evento que Aras não tinha sido convidado com o intuito de apresentá-lo a Barroso. Ele também enviou um texto com elogios ao candidato para os ministros do Supremo, escrito pelo próprio Aras. 

"É um colega sério e ponderado, tem excelente capacidade de diálogo, é comprometido com o Estado de Direito e qualificado para o cargo. Se indicado, fará um grande trabalho na Procuradoria-Geral", dizia um trecho do texto. 

Além de Moro e dos ministros do STF, Deltan também diz ter enviado mensagens a Onyx Lorenzoni e André Mendonça, ambos ministros de Bolsonaro. Ele também fez articulações com 20 parlamentares para tentar emplacar a candidatura do colega, alguns citados em delações da Lava Jato, como Eduardo Braga (MDB-AM), Humberto Costa (PT-PE), Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e Álvaro Dias (Pode-PR). 

Atualmente, membros do MPF entregam uma lista ao presidente da República com três nomes como sugestão para o comando da PGR. Vladimir Aras ficou fora da lista, tendo sido o quinto mais votado. Bolsonaro, no entanto, sinalizou que deve escolher alguém que não está entre os 3 nomes indicados.

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Em nota, a força-tarefa da Lava Jato disse que é permitido aos procuradores "incentivar colegas a se candidatarem", "fazer contatos" e "encampar iniciativas para a escolha dos melhores candidatos". Além disso, voltou a afirmar que não reconhece a autencidade das mensagens e que o material foi editado ou está fora de contexto. 

Sergio Moro e Vladimir Aras não se manifestaram.