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Presidente repete no Brasil ações semelhantes as feitas por líderes cubanos e soviéticos e mostra que não aceita ideologia diferente da sua

IstoÉ

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Carolina Antunes/PR
Bolsonaro demitiu o secretário de Comunicação


O presidente Jair Bolsonaro quer repetir no Brasil, em matéria de comunicação, o que ditadores de Cuba e da extinta União Soviética faziam com a a imprensa. Quer ter no Brasil uma mídia totalmente favorável a ele, acabando com a imprensa livre. Se os jornalistas não pensam como ele, logo, são seus inimigos e devem ser boicotados. E isso vale também para seus próprios assessores.

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É que depois de uma semana no cargo de secretário de Imprensa do Palácio do Planalto, Bolsonaro mandou demitir o jornalista Paulo Fona, que foi posto no cargo pelo Secretário de Comunicações (Secom), Fábio Wajngarten. Bolsonaro tem indícios de que Fona teria um passado muito ligado à esquerda. Ao mandar demiti-lo, o presidente agiu como todos os demais ditadores: sem dar nenhuma explicação oficial ao jornalista. “Não tenho a menor ideia das razões de minha demissão”, disse Fona logo após ter a demissão confirmada por Wajngarten.

Essa demissão, contudo, não é um fato isolado. Desde que Wajngarten empoderou-se como chefe da Secom, o novo sistema autoritário de Bolsonaro em matéria de comunicações vem florescendo. Primeiro, caiu o ministro Santos Cruz, que era o chefe de Wajngarten. Os dois não falavam a mesma língua e prevaleceu a força de Wajngarten junto à Bolsonaro. Depois, o chefe da Secom veio impondo seus métodos. Determinou que o porta-voz da presidência, Rêgo Barros, não fala mais com tanta frequência com jornalistas. E determinou ainda que Bolsonaro fale diariamente com os jornalistas na porta do Palácio do Alvorada, logo às 8h, para pautar a imprensa durante o dia todo.

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A nova política de comunicação também prevê que o governo não dê um centavo de verba pública para os órgãos que eventualmente fazem críticas a atos do presidente. Não são destinadas verbas para as emissoras de televisão que promovem as ações de Bolsonaro . Até as publicações legais de estatais, que eram feitas em jornais como O Valor Econômico, foram proibidas. O governo entende que esse jornal é crítico a Bolsonaro. Enfim, tempo sombrios envolvem a comunicação do governo.