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Metodologia deve ser aplicada a Walter Delgatti Neto, conhecido como "Vermelho", que confessou ter acessado aplicativos de ao menos 14 pessoas

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Daniel Marenco/Agência O Globo
Walter Delgatti Neto, o 'Vermelho', apontado como "líder" dos supostos hackers presos na Operação Spoofing

A Polícia Federal deverá imputar ao hacker Walter Delgatti Neto os crimes de "interceptação de comunicação" e "invasão de dispositivo de informática" a cada conta do aplicativo Telegram por ele invadido desde março deste ano, segundo disse ao jornal O Globo uma fonte que acompanha o caso de perto. A partir deste entendimento, Delgatti pode ser punido com mais de 70 anos de prisão só pelos crimes confessados até o momento.

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A forma como a PF pretende fazer o enquadramento penal deve aumentar a pressão sobre Delgatti . Ele confessou crimes e deu informações do método usado, mas a polícia acredita que o hacker sabe mais do que se dispôs a contar. Pelos indícios obtidos até o momento, ele teria tentado invadir aproximadamente mil telefones, um número bem acima dos números e nomes mencionados em seu depoimento.

Entenda o caso

O juiz Vallisney de Souza Oliveira , da 10ª Vara Criminal do Distrito Federal, autorizou a prisão temporária dos quatro suspeitos de integrarem uma quadrilha supostamente responsável pela invasão hacker ao celular de Moro e outras autoridades na última terça-feira (23).

No dia seguinte, o casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira foi detido em São Paulo, Walter Delgatti Neto foi preso em Araraquara e Danilo Cristiano Marques foi capturado em Ribeirão Preto. Todos são naturais de Araraquara e se conhecem.

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Delgatti Neto, conhecido como "Vermelho " e dono de uma ficha criminal extensa, foi o único a admitir participação no crime.  Gustavo Henrique Elias Santos, por sua vez, negou ser um dos hackers e também apontou para "Vermelho", afirmando que viu algumas das mensagens de autoridades vazadas em posse do amigo.

As investigações que resultaram na operação começaram após os ataques sofridos por Moro. Há pouco mais de dois meses, ele teria sido alvo de uma tentativa de invasão de suas contas no aplicativo Telegram.

Em apresentação para mostrar como se deram as investigações que chegaram ao grupo de hackers , nesta quarta-feira (24), o delegado federal da PF, João Vianey Xavier Filho, disse   que o número de vítimas alvo do ataque é alto.

"Identificamos que cerca de mil números diferentes foram alvos desse mesmo modus operandi dessa quadrilha. Há possibilidade de um número muito grande de possíveis vítimas desse ataque que está sendo investigado agora", afirmou o delegado.

Luiz Spricigo Jr., perito criminal federal que também participou da coletiva, revelou que há um "forte indicativo" que o ministro Paulo Guedes também foi hackeado , como informado na última segunda-feira (22).

"Com um dos investigados estava uma conta vinculada ao nome do ministro Paulo Guedes . Ainda temos que confirmar, mas é um forte indicativo de que a conta seja realmente a do   
ministro", ressaltou Spricigo Jr.

Xavier Filho reiterou ainda que o intuito do grupo é praticar o chamado estelionato eletrônico, com fraudes fiscais com internet banking e cartões de crédito com o intuito de   
obter benefícios em dinheiro. "Foi localizada uma quantia razoável de dinheiro, quase R$ 100 mil em espécie, que já estão depositada em juízo", revelou.

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As autoridades também disseram que estão em contato com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para "isolar as fragilidades" e que "vão pedir reunião para compartilhar o que foi apurado" na tentativa de evitar que o golpe dos  hackers  seja replicado para outras vítimas.