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Decisão de presidente do STF faz com que investigação sobre o senador possa ser paralisada, mas Bolsonaro preferiu não comentar o assunto

Flávio e Jair arrow-options
Reprodução/Twitter
Bolsonaro diz que Flávio tem 'problemas potencializados' por ser seu filho

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta terça-feira (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) tem os problemas potencializados por ser seu filho. Flávio, que nega irregularidades, é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) no inquérito que apura o suposto desvio de dinheiro em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O desvio, segundo as investigações, ocorreria a partir da arrecadação ilícita de parte dos salários de servidores lotados no gabinete de Flávio , então deputado estadual.

Também nesta terça, a pedido da defesa do senador, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli,  determinou a suspensão de todos os processos judiciais em que dados bancários de investigados tenham sido compartilhados por órgãos de controle sem autorização prévia do Poder Judiciário, o que pode beneficiar o primeiro filho de Bolsonaro.

O presidente participou da cerimônia de posse do novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, de 38 anos. Bolsonaro o conhece desde garoto, por ser amigo de seus filhos. O pesselista disse ter orgulho dos jovens que lutaram para chegar aonde chegaram, citando os casos de Montezano, de Flávio Bolsonaro e de outro filho, Eduardo Bolsonaro , que ele quer nomear embaixador no Estados Unidos.

"Temos um senador da República. Por ser meu filho, tem seus problemas potencializados. Temos também, se Deus quiser, um embaixador da potência mais importante do mundo. Estou muito feliz neste momento", disse o presidente durante o discurso.

Depois, em rápida entrevista à imprensa, Jair Bolsonaro evitou comentar a decisão de Toffoli. "Estava numa reunião de ministros agora, vim aqui, não estou sabendo ainda. Quem fala são os advogados", afirmou.

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As investigações do MPRJ apontaram que o esquema de desvio de recursos no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj seria operado pelo ex-assessor do então deputado Fabrício Queiroz , que é policial militar reformado.

Ao MPRJ, Queiroz admitiu que repassa parte dos salários de servidores lotados no gabinete de Flávio Bolsonaro a outras pessoas que trabalhassem, ainda que informalmente, para o parlamentar. A ideia, segundo ele, era ampliar a base de pessoas a serviço do então deputado. Queiroz disse que o parlamentar não tinha conhecimento do esquema.

A suposta arrecadação teria sido detectada em relatórios do Conselho de Administração de Atividades Financeiras (Coaf). A defesa de Flávio argumentou ao STF que a investigação conduzida pelo MPRJ teria irregularidades porque o repasse de dados do Coaf ao MPRJ não teria sido intermediado pela Justiça.