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Política externa se insere aliança nacional conservadora, afirma o chanceler

Ernesto Araújo
Marcelo Camargo/ABr
Comandante do Itamaraty, ministro Ernesto Araújo

Embalado na onda anti-globalista promovida pelos integrantes do governo mais alinhados ao pensamento do ideólogo e guru do bolsonarismoOlavo de Carvalho, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que a política externa brasileira está plenamente integrada à aliança liberal conservadora que surgiu no Brasil e em outras partes do mundo. Segundo ele, além das cadeias globais de valor, o país também quer se enquadrar em uma "cadeia global de ideias".

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"Estamos desideologizando o Mercosul. Estamos colocando nossas visões de mundo, junto a uma economia baseada no liberalismo e com uma basa sólida e saudável e em valores profundos", disse Ernesto Araújo .

O ministro enfatizou que essa "desideologização" também está acontecendo com a União Europeia - o que facilitou a conclusão de um acordo de livre comércio, depois de 20 anos de negociação. Para Araújo, essa visão de mundo está ajudando o Brasil. Ele citou como exemplos o aumento cada vez maior de políticos europeus que defendem a saída do país da União Europeia, tal como está ocorrendo com o Reino Unido , e a expansão do número de congressistas conservadores eleitos recentemente no Parlamento europeu.

"Durante muito tempo, os europeus impunham suas condições, tínhamos um modelo de integração no Mercosul parecido com o da UE. Só que o Mercosul é o Mercosul", ponderou o ministro de Bolsonaro .

Essa aliança liberal conservadora, ressaltou o chanceler , pode ser vista com clareza no Brasil, inclusive nas ruas, em manifestações que ocorreram no último domingo e no fim de maio.

"A sociedade conservadora se mobiliza a favor de reformas liberais, como a Previdência, a abertura econômica e a Lava Jato. Isso produz um sentimento e um dinamismo completamente diferente", enfatizou.

Ele também esclareceu que a luta contra o globalismo por governos de países como Brasil, Estados Unidos, Polônia, Hungria, entre outros, nada tem a ver com a liberalização comercial.  Segundo o chanceler, quem critica o globalismo não critica o livre comércio.

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"O que não concordamos é com o uso do comércio como ferramenta para o tema da desnacionalização e a destruição das entidades nacionais. A aliança liberal conservadora se opõe ao globalismo nesse empenho de liberalização econômica", explicou Ernesto Araújo .