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Renan Miguel Saad era conhecido como "Gordinho" na Lista da Odebrecht e foi acusado de receber propina em desvios em contratos da Linha 4 do Metrô

Renan Miguel Saad
Agência O Dia
Renan Miguel Saad era conhecido como "Gordinho" na lista da Odebrecht e defendeu jatinho para Pezão voar sem ser xingado

Identificado no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht como "Gordinho", o procurador Renan Miguel Saad foi citado pela primeira vez na Lava-Jato no final de março de 2017,quando foi deflagrada operação Quinto do Ouro , que mandou  prender cinco dos sete conselheiros do Tribubal de Contas do Estado (TCE-RJ), acusados de terem recebido 1% de propina sobre o valor dos contratos de obras para não incomodar as empreiteiras - reveladas pelo jornal O Globo no âmbito da Operação Calicute - durante o governo de Sérgio Cabral (2007-2014).

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O procurador , preso nesta segunda-feira ,  foi delatado pelo ex-diretor de contratos da Odebrecht Marcos Vidigal do Amaral, que o acusou de ter recebido R$ 300 mil para dar parecer em dezembro de 2009/2010 sobre a Linha 4. Na época, Saad afirmou que iria processar o delator e solicitou à Corregedoria a abertura de procedimento administrativo, alegando que seus atos obedeceram a "padrões éticos e regimentais".

Segundo ele, a discussão sobre a expansão do metrô até a Linha Oceânica (Barra) teve início em 2009, ou seja, antes da Odebrecht entrar em 2010 e disse que a aprovação do parecer, que alterava o trajeto inicial da obra, tinha sido apontado por outro procurador.

Saad explicou que o documento aprovado foi de outro procurador. "Inexiste lógica na versão equivocada e fantasiosa de eu ter recebido vantagem para produzir parecer no qual havia concordado, oficial e publicamente, em fazê-lo", afirmou em nota.
De acordo com os procuradores da Lava-Jato, Saad teria recebido no total R$ 1,265 milhão em pagamentos relacionados ao metrô do Rio. Sustentam ainda que um dos repasses de dinheiro realizado entre 2010 e 2014 foi de R$ 100 mil, dentro do escritório de Saad, na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio.

As investigações contra Saad começaram quando o chefe de gabinete do então presidente do TCE-RJ Aloysio Neves, Giorgio Pierson Oliboni - também citado pelo delator-, foi exonerado acusado de corrupção.  O delator acusava Oliboni, que era muito próximo ao outro presidente do TCE, Jonas Lopes, de ter sido intermediário do recebimento de R$ 4 milhões para que um dos procedimentos sobre valores da Linha 4 do Metrô fosse arquivado.

Como procurador do Estado, Saad atuou em defesa do ex-governador Luiz Fernando Pezão , também preso pela Lava-Jato, em 2018, no pedido do ex-governador para que fosse realizada uma licitação de R$ 2,5 milhões para que Pezão se locomovesse em um jatinho particular para "evitar episódios de hostilidade" dirigidos a ele, além de "assegurar a sua integridade física". O TCE-RJ rejeitou o pedido por três vezes e considerou que os casos citados pelo Estado constituem situações de “desconforto”, e que não justificam o aval para a licitação.

Saad insistiu na defesa para que fosse aprovado o processo de licitação

"A ideia é assegurar a segurança de todos. Tanto do governador quanto dos demais. Se não tiver a segregação, vai ocorrer confusão. Você pode imaginar ele andando em aviões de carreira sendo vítima do ataque ético da imprensa. Esse serviço é para atender o governador em sua atividade funcional, mas, sobretudo, para lhe dar segurança ", disse na representação
O TCE rejeitou o argumento dizendo que "não há qualquer dúvida que a contratação de empresa de transporte aéreo de luxo para deslocamento do Excelentíssimo Senhor Governador não se mostra proporcional ao momento de absoluto caos vivenciado pelo Estado do Rio de Janeiro em suas finanças”.

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O pedido de Saad considerava ainda uma "Sala Vip" para uso do ex-governador, com a oferta de água e lanche antes do embarque, além de banheiro privativo.

O ex-diretor da Odebrecht acusou acusou, além do procurador , o ex-secretário de Transporte Júlio Lopes, hoje deputado federal pelo PP-RJ, de exigir propina de 0,5%, o equivalente de R$ 19,5 milhões, do valor de R$ 3,9 bilhões, do trecho da Linha 4 do Metrô na Zona Oeste. Logo depois, Lopes teria pedido 0,5% da obra na Zona Sul referente a R$ 3,6 bilhões. As empreiteiras negociaram, segundo ele, redução do percentual de 0,5% para 0,25%, ou seja, R$ 9 milhões.