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Nova denúncia da força-tarefa da Lava Jato acusa ex-presidente da Dersa de dissipar patrimônio ilícito e fazer lavagem de dinheiro

Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto
Geraldo Magela/Agência Senado - 29.8.12
Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, está preso em Curitiba


O ex-presidente da Dersa, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, recebeu uma nova denúncia e um novo pedido de prisão da força-tarefa da Lava Jato. De acordo com o Ministério Público Federal no Paraná, o suposto operador financeiro do PSDB praticou lavagem de dinheiro em 2016 no montante de 400 mil dólares.

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Paulo Preto está preso preventivamente em Curitiba desde fevereiro, quando foi instaurada a 60ª fase da operação Lava Jato. Ele é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Ministério Público, o aprofundamento da investigação revelou que, em 23 de maio de 2016, o ex-diretor da Dersa transferiu a quantia de sua conta na Suíça, mantida no nome da offshore Groupe Nantes, para a conta titularizada pela offshore Prime Cheer Ktd., mantida em instituição financeira sediada em Hong Kong e controlada pelo doleiro Wu-Yu Sheng, que atuava em conjunto com o operador financeiro Rodrigo Tacla Duran.

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Para a internalização do valor, houve uma operação de dólar-cabo invertida: disponibilizados os US$ 400 mil no exterior à dupla de doleiros Wu-Yu e Tacla Duran, este último realizou quatro entregas em maio e junho de 2016 do valor equivalente em reais no Brasil a Paulo Vieira de Souza.

"Ficou evidenciado que, em liberdade, o operador persistiu dissipando o seu patrimônio obtido ilicitamente a partir da conta bancária que abriu no Deltec Bank and Trust Limited, nas Bahamas, para onde foram enviados, no início de 2017, cerca de US$ 34 milhões que antes mantinha na Suíça. A partir da nova conta em Bahamas, foram realizadas ao menos sete transferências, entre 2017 a 2019, que somaram mais de US$ 5 milhões, conforme discriminado na peça acusatória", diz nota da força-tarefa da Lava Jato .

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Paulo Preto já foi condenado pela 5ª Vara Criminal de São Paulo a 145 anos e oito meses de reclusão no dia 06 de março deste ano. Como ainda não foi julgado em segunda instância, o ex-presidente da Dersa só está preso preventivamente.