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Hoje em meio a polêmica devido a suposta conversa mantida entre Moro e Dallagnol, FHC dizia que Lava Jato faz "trabalho excepcional"; para advogado Walfrido Warde, novo colunista do iG, diálogo é "particularmente grave"

FHC
Reprodução/Facebook
FHC: "Quem imaginar que a Lava Jato é para perseguir algum partido e favorecer outro está errado"

Em vídeo gravado em março de 2017 (assista ao fim deste texto), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) rejeitou a tese de que a Lava Jato promove "perseguições" e avaliou que a operação "tem feito um trabalho excepcional".

"A L ava Jato é um órgão do Estado, que vem funcionando, e tem feito um trabalho excepcional. [...] Nós temos que prestigiar as instituições. A Lava Jato faz parte das instituições. [...] Quem imaginar que a Lava Jato é para perseguir alguém, algum partido, e favorecer outro está errado. É para fazer com que a Justiça se cumpra no Brasil", disse FHC .

Já na noite dessa terça-feira (18), o ex-presidente se viu em meio a uma nova polêmica acerca de mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil . Em suposta conversa mantida entre Sergio Moro e o coordenador da força-tarefa de procuradores que atuam em Curitiba, Deltan Dallagnol, o ex-juiz teria questionado investigação contra Fernando Henrique Cardoso, alegando que ela "melindra alguém cujo apoio é importante". 

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O advogado Walfrido Warde , presidente do Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), destaca que ainda não se sabe como as mensagens foram obtidas, nem se são verdadeiras. Mas pontua que, caso se comprove real, a conversa revelada ontem é "particularmente grave".

"A série de pequenos vazamentos, ao melhor estilo conta-gotas, pinga como ácido sulfúrico na testa e na reputação dos dois heróis de última hora", diz Warde, fazendo alusão a Moro e a Dallagnol.

"O papo teria selado o destino do intelectual octogenário, que foi poupado pela dupla dinâmica. Ao que parece, Moro decidiu que não seria conveniente empurrá-lo para o lamaçal, porque ele, oponente natural do lulo-petismo, engrossaria o coro contra os companheiros encrencados, em especial contra Luis Inácio, o homem que teve a ousadia de superar e muito, no auge da glória, a popularidade do tucano", continua o advogado.

"O problema é que os homens da lei, cujo mantra é a promessa de submeter todos, ricos e pobres, fortes e fracos, aos seus rigores, escolheram – a dedo – os inimigos e, no caso de FHC , o amigo. A conversa demonstraria, portanto, que a lei não é igual para todos e que, para alguns, é muito mais benevolente do que para outros. Se Moro e Dallagnol, com as mãos na flor do destino de personagens importantes da política e do meio empresarial, decidiram arrancar suas pétalas ao sabor das conveniências, o que se dirá da sua imparcialidade e do seu senso de Justiça?", finaliza.

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Walfrido Warde, advogado, escritor e presidente do IREE, Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa, passa a escrever todas às quartas-feiras, para o iG , na coluna “Poder para o Povo”.