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Ex-presidente recebeu os jornalistas Juca Kfouri e José Trajano e acusou a maior empresa de comunicação do País de arquitetar sua prisão

Lula
Foto: Miguel Schincariol/Agência O Globo
Lula concedeu a primeira entrevista desde o vazamento de conversas da Lava Jato

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu, nesta quarta-feira (12), sua primeira entrevista desde que conversas entre o então juiz da Operação Lava Jato, o hoje ministro Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, foram vazadas pelo site The Intercept .

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Durante a conversa, que foi conduzida pelos jornalistas Juca Kfouri e José Trajano, partidários declarados do petista, Lula chamou a Lava Jato de "farsa", disse que Moro "sabe" que ele é inocente e ainda criticou a Rede Globo, a quem chamou de "grande mentora" da Lava Jato.

"Eles querem falar que os vazamentos não são corretos. Mas onde eles estavam quando o Moro gravou conversas minhas com a ex-presidente Dilma? Ou quando vazaram conversas dos meus filhos com a minha esposa?", questionou o petista.

"Mas eles sabem eu eu sou honesto. O Moro sabe, o Dallagnol sabe", disse. "A Polícia Federal invadiu minha casa, a casa dos meus filhos, o Instituto Lula e não acharam nada", continuou.

Visivelmente irritado, o ex-presidente disse que as instituições são administradas por "moleques" e que eles são responsáveis por quebrarem as empresas investigadas. "O Moro e a Globo servem muito mais os interesses norte-americanos do que os brasileiros", declarou o petista, que ainda pediu um debate com o ministro da Justiça e Segurança Pública.

Após relembrar o tempo como presidente, Lula disse que chegou a ser "unanimidade" entre os empresários antes da reeleição de Dilma e culpou o tucano Aécio Neves por "instaurar o clima de ódio" no Brasil. " E por isso parimos essa coisa chamada Bolsonaro ", analisou.

Sobre o atual governo, o petista não poupou crítica. Seu principal alvo, depois de Moro , foi o ministro da Economia, Paulo Guedes. “Guedes vai em Nova York e diz, na maior cara de pau, que quer vender o Palácio do Planalto. Só não vende a cadeira do Bolsonaro porque ninguém quer”, reclamou Lula, que atacou a reforma da Previdência.

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Sobre a prisão, o ex-presidente disse estar "tranquilo". “Só quero justiça. Peço a Deus que alguma instância leia meu processo", disse Lula, que voltou a acusar a Lava Jato. “Meu processo foi 100% político. Eu nem precisava de advogado. A Suprema Corte tem que ter coragem de ser a guardiã da Constituição e que recupera o padrão de confiança que não pode deixar de ter”, finalizou o ex-presidente.

Veja, na íntegra, a entrevista concedida por Lula .


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