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Líder do partido na Câmara afirmou que começará a coletar assinaturas e classificou a situação como "gravíssima"; sigla fala em abuso de poder

Moro
Marcelo Camargo/ABr
PDT classifica atitude de Moro como "abuso de poder"

O PDT anunciou que as lideranças do partido vão atuar pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as conversas entre o ex-juiz Sergio Moro (atual ministro da Justiça e Segurança Pública) e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa de procuradores que atuam na Lava Jato. As mensagens foram publicadas nesse domingo (9) pelo site The Intercept

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Nas redes sociais, o PDT  publicou mensagem na qual aponta "abuso de poder" por parte da força-tarefa da operação e afirmou que as conversas contêm ameaças à população. "Vamos abrir uma CPI mista para apurar as denúncias a Sergio Moro e Deltan Dallagnol. A notícia sobre as conversas pessoais entre o juiz e o procurador durante a Operação Lava-Jato representam uma ameaça à segurança jurídica de qualquer cidadão", escreveu a sigla. 

Para que uma CPI seja criada, é necessária a assinatura de 171 deputados. Se for mista, ou seja, com apoio tanto da Câmara quanto do Senado, deve haver apoio de 171 deputados e mais 27 senadores. O líder do partido na Câmara, André Figueiredo (CE), afirmou que começará a coletar as assinaturas.

"Situação gravíssima em nosso país!Uma trama sem precedentes que precisa ser devidamente apurada. O PDT coletará assinaturas para abrirmos uma CPMI no Congresso . Temos que passar o Brasil a limpo em todas as esferas", disse o parlamentar.

As  conversas divulgadas pelo The Intercept neste domingo indicam que Moro teria atuado junto ao Ministério Público Federal (MPF), dando conselhos aos procuradores da Lava Jato, interferindo na ordem das operações da força-tarefa e até indicando fontes que pudessem incriminar os investigados.

Os procuradores também teriam tomado providências para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não desse entrevista antes das eleições, com medo de uma eventual vitória do então candidato à Presidência Fernando Haddad (PT). A reportagem ainda mostra que Dallagnol tinha dúvidas sobre a consistência das provas que incriminaram Lula no caso do tríplex.

Além do PDT , o deputado do PSOL Ivan Valente afirmou que pretende entrar com um requerimento para convocar Moro a  prestar esclarecimentos na Câmara e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O partido também vai entrar com uma representação contra Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).