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Em manifesto assinado por cerca de 400 juristas, grupo cobra CNJ e CNJ e diz que a "República de Curitiba não passou de uma conspiração política"

Deltan Dallagnol
José Cruz/Agência Brasil - 10.8.2016
Coordenador da força-tarefa de procuradores que atuam na Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol

Um grupo de 396 advogados assinou manifesto pedindo o "afastamento imediato" dos integrantes da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) na Operação Lava Jato em Curitiba. O texto foi elaborado em reação à divulgação de mensagens trocadas entre procuradores com o ex-juiz Sergio Moro , então responsável pelos processos da operação na Justiça Federal em Curitiba.

No texto, os advogados interpretam as conversas reveladas pelo site The Intercept como uma demonstração de que a "República de Curitiba não passou de uma conspiração política, usando o Judiciário apenas como pano de fundo".

"Trata-se de um dos maiores escândalos nas Instituições Poder Judiciário e Ministério Público da era pós-1988, surgindo, da leitura dos documentos, o crime de lesa-pátria que levou o Brasil a enorme caos econômico, desorganizando empresas e setores da Economia", dizem os defensores. "[A Lava Jato ] sempre foi ação política coordenada, sem escrúpulos e sem nenhum compromisso com o país e suas instituições republicanas."

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O manifesto é assinado por nomes como o do diplomata Celso Amorim (chanceler do governo Lula), do jurista e professor Pedro Serrano e do ator José de Abreu (que também é formado em Direito).

Os advogados cobram que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o Congresso Nacional instaurem "imediatos procedimentos administrativos em face dos envolvidos, para investigar os supostos crimes cometidos". 

As conversas divulgadas nesse domingo indicam que Moro teria atuado junto ao MPF, dando conselhos aos procuradores da Lava Jato, interferindo na ordem das operações da força-tarefa e até indicando fontes que pudessem incriminar os investigados.

Os procuradores também teriam tomado providências para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não desse entrevista antes das eleições, com medo de uma eventual vitória do então candidato à Presidência Fernando Haddad (PT). A reportagem ainda mostra que Dallagnol tinha dúvidas sobre a consistência das provas que incriminaram Lula no caso do tríplex.

Em nota, a força-tarefa de procuradores que atuam na Operação Lava Jato negou irregularidades na atuação do grupo , reforçou a ideia de que o trabalho é "imparcial" e acusou o site The Intercept de ter divulgado mensagens "fraudulentas e fora de contexto". O ex-juiz Sergio Moro, por sua vez, reclamou que as conversas foram obtidas "por meios criminosos" e garantiu que os textos não apontam "anormalidade ou direcionamento".