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Desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, acionou a Polícia Federal, que investiga o caso; juiz federal também foi alvo

Abel Gomes
Reprodução/ YouTube
Entre os processos dos quais o desembargador Abel Gomes é relator estão os das Operações Calicute

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) informou neste sábado que o relator dos processos da Lava-Jato em segunda instância, desembargador federal Abel Gomes, sofreu uma tentativa de invasão a dados de seu celular e à sua conta no aplicativo de mensagens Telegram.

De acordo com a nota, o ataque ocorreu na última quarta-feira e foi dirigido também ao juiz federal Flávio de Oliveira Lucas, que atuou no gabinete do desembargador e, em período de férias, o substituía. Flávio Lucas é hoje titular da 18ª vara Federal cível do Rio de Janeiro.

Na terça-feira, um hacker invadiu o celular do ministro da Justiça , Sergio Moro. Quando descobriu o crime, o ministro trocou de linha e pediu para a Polícia Federal investigar o caso. A tentativa de ataque virtual a Abel ocorreu na mesma quarta-feira em que um hacker tentou seguidas vezes invadir o celular do ex-procurador-geral Rodrigo Janot . O invasor só não teve sucesso porque Janot se recusou a atender as insistentes ligações e a acessar os códigos que o estranho o enviou.

Assim que percebeu a tentativa dos hackers, o desembargador Abel Gomes acionou a Polícia Federal, por meio de um ofício no qual ressaltou que a necessidade de “esclarecer o grau de comprometimento desta invasão em meu telefone móvel, sistemas eletrônicos, e na minha vida privada e funcional.” A PF está investigando o caso, e o aparelho está sendo periciado.

Entre os processos dos quais Abel Gomes é relator estão os das Operações Calicute, que prendeu o ex-governador Sérgio Cabral, e Cadeia Velha e Furna da Onça, que prenderam deputados estaduais.

Para o desembargador, os criminosos tentam realizar “tentam um tipo de ‘terrorismo eletrônico', para intimidar autoridades. Querem fazer uma demonstração de força, mostrar que seriam capazes de entrar na vida privada e até funcional das autoridades”.