Tamanho do texto

Ex-ministro Bruno Araújo, que entra no lugar de Geraldo Alckmin, é peça-chave no projeto do governador em 2022; FHC não compareceu ao evento

doria e araújo
Reprodução/PMSP
João Doria e o novo presidente do PSDB, Bruno Araújo

A convenção nacional do PSDB conclamou, nesta sexta-feira (31), como novo presidente da sigla Bruno Araújo (PE), ex-ministro de Michel Temer (MDB) e ex-deputado federal. Aliado de João Doria, Araújo é peça chave na futura candidatura do governador de São Paulo à Presidência em 2022 e substitui o ex-governador e ex-candidato à Presidência Geraldo Alckmin.   

Leia também: Ausência de FHC e despedida de Alckmin marcam troca de comando do PSDB

A nova vice-presidente do partido é a senadora Mara Gabrilli. Apesar de ter emplacado seu aliado, porém, Doria não conseguiu enxugar os ex-presidentes do partidos da composição da Executiva, como planejava. Dessa forma, Geraldo Alckmin, o deputado Aécio Neves (MG), o senador Tasso Jereissati (CE), O ex-governador Teotonio Vilela Filho (AL) e o ex-senador José Anibal continuarão participando da cúpula da sigla.

Em seu discurso, Araújo mencionou que é o primeiro presidente que se formou politicamente dentro do PSDB, desde quando participava da Juventude da sigla. Ele manifestou apoio à reforma da Previdência e citou João Doria como pré-candidato à Presidência da República, exaltando sua gestão no governo de São Paulo.

Doria, por sua vez, adotou um discurso conciliador, elogiando tucanos com quem já teve rusgas no passado, como os senadores José Serra (SP) e Tasso Jereissati (CE), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o próprio Alckmin. O governador defendeu respeito às raízes do PSDB, mas também destacou que é preciso construir coisas novas.

"Não precisamos apagar nossa história. Precisamos também construir nossa história. É isso que o povo brasileiro espera do PSDB. Respeite a sua história, mas seja protagonista da história", disse.

Fernando Henrique não participou da convenção. Ele está no Brasil, mas avisou ter um compromisso particular que o impedirá de comparecer à reunião, e enviou um vídeo. Nas últimas três convenções tucanas, FHC esteve no palco para discursar para a militância.

A convenção também aprovou o código de ética do PSDB, última medida da gestão de Geraldo Alckmin. As novas regras punem com expulsão os condenados criminalmente com sentença transitada em julgado e quem cometer infidelidade partidária, entre outras penalidades.

Ao contrário do que era previsto inicialmente, porém, não deve suspender do partido réus criminais, como o deputado Aécio Neves (MG) e o ex-governador de Goiás Marconi Perillo. O senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino do partido em 2017, afirmou que o PSDB está superando um "período difícil" e ressaltou que a renovação não está só ligada à idade. 

"O partido está em uma transição importante, superamos um período difícil. Agora temos uma nova Executiva que tem todas as condições de voltar o caminho natural do PSDB que é de fazer história. Renovar não é só idade, é ideias. Cabeça nova, hábitos, comportamento político" disse, acrescentando que vê essas qualidades na nova Executiva: "Tem muita gente nova. Muita gente boa, que têm condições de levar o partido no seu rumo verdadeiro".

Durante sua gestão, Tasso cobrou uma autocrítica do PSDB, o que gerou um mal-estar em alguns setores do partido. Questionado se há clima para corrigir esses erros que foram apontados, o senador afirmou que isso é uma "obrigação". Ele diz que já havia sugerido, por exemplo, o código de ética que foi aprovado nesta sexta.

Reforma da Presidência é lembrada em discursos


A convenção nacional do partido, em Brasília, contou com a presença do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do presidente do MDB, o ex-senador Romero Jucá (RR) e o presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM). O relator da reforma, Samuel Moreira (PSDB-SP), ressaltou que o PSDB sempre apoiou as reformas da Previdência, em diferentes governos.

"Nosso partido sempre foi um partido reformista e sabemos nosso lugar. Não ganhamos a eleição (presidencial), reconhecemos a legitimidade do eleito, o resultado das urnas. Nosso papel, nosso lugar, é ajudar o Brasil", disse.

Leia também: Juventude do PSDB se divide e briga em convenção nacional

Maia elogiou o PSDB e disse ter entregado a relatoria para Samuel Moreira por confiar no partido. "É por isso que entreguei ao PSDB o que tem de mais importante na minha Presidência, que é a relatoria da reforma da Previdência. Eu confio muito no PSDB".