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Presidente da Câmara reagiu à declaração do presidente da República, que disse que " tem muito mais poder com a caneta" do que o parlamentar

Bolsonaro Maia
Reprodução/Flickr
Bolsonaro se reuniu com Maia e para um café da manhã nesta terça-feira (28)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), minimizou a frase do presidente Jair Bolsonaro de que ele tinha mais poder na "caneta"que o Congresso. Maia afirmou que o presidente se referia à possibilidade de editar decretos regulamentando leis e disse não ter visto "maldade" na frase. 

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"Ele fala da questão do decreto na importância que um bom decreto tem na regulamentação da lei. Não tem maldade nenhuma. Não vamos criar maldade onde não existe", disse Maia após participar ao lado de Bolsonaro de sessão da Câmara em homenagem ao humorista Carlos Alberto de Nóbrega.

Questionado sobre como estão as relações com o Executivo, voltou a minimizar a frase.

"Não vou entrar numa frase que eu sei em qual contexto ele falou pra mim e não teve maldade nenhuma. Vamos manter o ambiente distensionado", disse Maia. "Precisa mais de diálogo e proximidade do que conflito", analisou.

O presidente da Câmara reafirmou que vai discutir com os líderes contribuições da Câmara ao texto do "pacto" que vem sendo debatido com Bolsonaro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

"Vamos ver o que posso assinar. Tenho que representar a maioria da Casa", disse Maia.

Nesta terça-feira, Maia se reuniu com Bolsonaro , com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Depois do encontro, o chefe da Câmara relatou a parlamentares que não houve nenhum avanço efetivo na relação entre os poderes. Ele relatou que a conversa foi genérica e manifestou incômodo de Bolsonaro ter carregado ministros para a reunião.

Maia almoçou com líderes do centrão e em nenhum momento relatou a eles a necessidade de discutir o "pacto" anunciado com pompa pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O presidente da Câmara disse que a conversa foi protocolar e que Bolsonaro limitou-se a fazer pedido de apoio a "pautas de interesse do país", sem dar detalhes específicos de que tipo de apoio almeja.

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Após as manifestações de domingo, Maia reconheceu a aliados que a narrativa martelada pelo governo e por pessoas que foram às ruas de que "o centrão quer cargos" foi bem explorada. Os acontecimentos só reforçaram a visão do presidente da Câmara, assim como de outros parlamentares, de que não é possível confiar no governo.