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Paulo Klein, responsável por defender Fabrício Queiroz, diz que investigação contra o ex-assessor de Flávio Bolsonaro tem uma série de ilegalidades

Fabrício Queiroz
Reprodução
Defesa de Fabrício Queiroz criticou a atuação do Ministério Público

A quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabrício Queiroz e outras 87 pessoas,divulgada na última semana , deu ao criminalista Paulo Klein, defensor do ex-motorista de Flávio Bolsonaro, a certeza de estar diante de um dos casos mais importantes em 20 anos de carreira.

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O primeiro movimento foi o ingresso de um habeas corpus para anular as quebras de sigilo bancário e fiscal de Queiroz na investigação, sob o argumento de que a decisão judicial não tinha “embasamento legal”.

Klein acusa o Ministério Público de ter burlado a Justiça ao omitir que o hoje senador Flávio Bolsonaro, na época dos fatos deputado estadual, era um dos investigados, para evitar que ele se valesse do foro especial por prerrogativa de função.

Como recebeu o afastamento do sigilo?

Vejo de cara uma ilegalidade da decisão. O juiz usa um único parágrafo para justificar a quebra do sigilo de 95 pessoas de uma só vez. Ele não poderia fazer isso. Para afastar o direito constitucional à privacidade de tanta gente, teria de tomar decisões individualizadas. O juiz também não pode utilizar como fundamento as razões alegadas pelo Ministério Público  na medida cautelar.

O senhor pretende barrar o procedimento investigatório?

Identifiquei várias ilegalidades. Começa com a comunicação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ) sobre a movimentação atípica. A partir disso, não se delimita o objeto a ser apurado e nem o prazo. Essa definição é um direito constitucional do cidadão. Saber o que pesa contra ele.

Qual foi o problema mais grave identificado pela defesa?

Essa investigação começa sem a autorização do tribunal. Flávio Bolsonaro , segundo os promotores, não era investigado. Mas isso agora fica claro na medida cautelar. Sendo assim, na época, na condição de deputado estadual, ele fazia jus à prerrogativa de função. O Ministério Público omitiu que Flávio era alvo para burlar essa necessidade. Sendo assim, o início ilícito macula toda a investigação.

Que medidas caberão agora?

Outra ilegalidade é a violação do sigilo, via transversa. O MP pegou as informações do Coaf e somou às obtidas no Laboratório de Lavagem de Dinheiro. Fazendo isso, ele viola o sigilo bancário. Além disso, fizeram uma devassa na vida do meu cliente e agora exigem dele que faça provas negativas. Isso é um estado policial. Todas as questões serão arguidas em HC, que a defesa pretende dar entrada direto no tribunal. Não há indício algum de prática criminosa.