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Ministro da Justiça e Segurança Pública afirma que não exigiu uma nomeação para o STF para entrar para a equipe do governo: "Convergência de pautas"

 Sérgio Moro
José Cruz/Agência Brasil - 8.5.19
Ministro Sérgio Moro negou que tenha negociado uma vaga no STF com o presidente Jair Bolsonaro

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, negou, nesta segunda-feira (13), que tenha negociado com o presidente Jair Bolsonaro uma futura indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) como contrapartida para assumir uma pasta no governo.

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"Não estabeleci nenhuma condição aceitar o convite", disse Moro , durante uma palestra em um evento em Curitiba. O ministro ainda afirmou que entrou para a equipe de Bolsonaro por uma "convergência de pautas". "Quero trabalhar contra a corrupção, crime organizado e crime violento", explicou o ex-juiz.

As declarações do ministro contradizem uma fala do presidente nesta segunda-feira (12). Durante uma entrevista à Rádio Bandeirantes, Bolsonaro garantiu que tinha um "compromisso" para indicar o ministro ao Supremo.

"Tenho um compromisso com ele (Moro). A primeira vaga (do STF) que vier é dele. Vou honrar o compromisso com ele, caso ele queira."

É provável que a primeira cadeira a ser preenchida na Corte pelo presidente seja a do atual decano, o ministro Celso de Mello. Ele vai aposentar em novembro do ano que vem, ao completar 75 anos.

A substituição do ministro se deve após aprovação em 2015 da chamada PEC da Bengala, que ampliou de 70 para 75 anos a idade de aposentadoria compulsória no serviço público.

No mês passado, Moro comparou uma indicação ao STF a ganhar na loteria, durante entrevista ao jornal português Expresso: "seria como ganhar na loteria. Não é simples. O meu objetivo é apenas fazer o meu trabalho".

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Ao ser questionado sobre a declaração de Moro, Bolsonaro disse que "o Brasil inteiro vai aplaudir". Sem especificar quando foi feito o compromisso, Bolsonaro citou que, para ser ministro, Moro abriu mão de 22 anos de magistratura.

Bolsonaro também poderá indicar outro integrante do tribunal, durante o mandato. O ministro Marco Aurélio vai se aposentar no dia 12 de julho de 2021, também após completar 75 anos.