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Segundo o presidente, se houver a transferência, Moro terá indicados no Coaf e acesso às informações do órgão; leia outros pontos entrevista aqui

Bolsonaro e Moro
José Cruz/Agência Brasil
Segundo Bolsonaro, se houver a transferência, Moro terá indicados no Coaf e acesso às informações do órgão.

O presidente Jair Bolsonaro minimizou, neste domingo, a derrota do governo na comissão especial do Congresso, na semana passada, que votou pela transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia. A mudança ainda tem de ser aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado. 

"Acho que o pessoal (parlamentares) estará pressionado. Tem tudo para ser mantido com o Moro. Agora, vamos supor que vá para o Paulo Guedes. Poxa,vai ter linha direta com o ministro da Justiça. Nossos ministros conversam", disse Bolsonaro em entrevista para a rádio Bandeirantes.

Para ele, a transferência é "uma medida inócua". "No meu entender, um desgaste para quem for votar para ir para economia. Desnecessário", comentou.

Segundo ele, se houver a transferência, Moro terá indicados no Coaf e acesso às informações do órgão. Ao falar sobre o assunto, Bolsonaro criticou o vazamento de informações do Coaf. "Não pode vazar. No ano passado, vazou muita coisa ao arrepio da lei. (...) Alguém tem de pagar. (...) O Coaf é um órgão de assessoramento. Não é de investigação de nada. É de assessoramento às autoridades que buscam conter a fraude por movimentações suspeitas", disse.

Congresso

Bolsonaro admitiu que ainda não tem base no Congresso. Ao ser questionado sobre o assunto, criticou os governos anteriores, dizendo que, ao serem eleitos, negociavam com presidentes partidários a distribuição de ministérios. Ele não disse, porém, como pretende formar sua base.

"Essa forma de fazer política não deu certo. Tem presidente preso, ex-presidente da Câmara preso", disse. Ao falar sobre a base parlamentar e cobranças por recursos para obras, citou sobre o contingenciamento do Orçamento.

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"Um contingenciamento monstro, de 40%, para a gente não cair na Lei de Responsabilidade Fiscal e cassarem meu mandato lá na frente. Sou obrigado a cortar. Geralmente, quando o  Orçamento é feito, é superestimado", disse.

Segundo Bolsonaro, se a economia melhorar, "todos" serão atendidos. "Se a economia reagir, vamos supor, é difícil reagir, porque é igual um a navio, se movimenta devagar, muda de direção de forma muito vagarosa, vamos atender a todo mundo."

Ele disse que está confiante na votação da reforma da Previdência. Para Bolsonaro, parte dos parlamentares já está "consciente" da necessidade da reforma.

Vice

Ao ser questionado sobre pessoas do próprio governo que "tentam o inviabilizar", Bolsonaro negou atritos com o vice Hamilton Mourão:

"Eu acredito que o vice não tenha essa pretensão. Se bem que todo ser humano, quer ascensão. Eu costumo dizer que aquele que não pensa em progredir tem de comprar lote no cemitério. Mas eu não acredito nessa possibilidade por parte do vice. Agora, que tem gente que busca maneira de te minar para ganhar algo na frente, isso sempre existiu e existe no meu governo, com toda certeza. Mas a gente vai se preparando."

Prefeito de Nova York

O presidente Jair Bolsonaro comentou ainda sua desavença com o prefeito de Nova York, Bill de Blasio. Ele lamentou não poder receber a premiação da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, mas disse que não colocaria sua imagem em risco.

"Não posso aparecer na capa com um ovo jogado por um palhaço de um ativista desse prefeito não menos palhaço e bobalhão."

troca de farpas com Bill de Blasio começou durante os preparativos para uma visita que Bolsonaro faria a Nova York para receber uma homenagem da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos num jantar de gala. O prefeito criticou o evento e disse que o presidente não seria bem recebido na maior cidade americana.