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"Imagine todo mundo armado", disse o Pastor Sargento Isidorio durante o ato; "Derramar sangue, é isso que o governo quer?", perguntou o deputado

Pastor Sargento Isidorio
Reprodução/Youtube
Deputado Pastor Sargento Isidorio faz protesto no Congresso contra o decreto de armas assinado por Bolsonaro

O deputado federal Pastor Sargento Isidoro (Avante-BA) protagonizou, na tarde desta quinta-feira (9), um protesto contra o último decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, que flexibiliza o acesso às armas no Brasil. A medida, assinada pelo presidente na última quarta-feira (7), facilitando a concessão de portes e posse de armas.

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Em sua performance contra Bolsonaro , o deputado simulou um tiroteio em pleno Congresso Nacional, no qual ele mesmo seria uma das vítimas. O outro homem envolvido na encenação é um dos assessores parlamentares do Pastor Sargento Isidorio e não teve seu nome divulgado.

O protesto chamou a atenção de quem estava nos corredores da Câmara. No ato, o parlamentar chegou a se jogar no chão e a fingir que levava um tiro. Suas roupas, assim como as do seu assessor ficaram repletas de manchas que simulavam sangue. Ambos seguravam itens que imitavam armas de fogo verdadeiras. 

Ainda deitado no chão, o deputado fez um discurso contra o decreto assinado por Bolsonaro. Em sua fala, Isidorio defende que o Brasil não é igual aos Estados Unidos e que armar a população será um "inferno". Em um dos cartazes espalhados ao chão, o deputado pergunta: "Derramar sangue, é isso que o governo quer?"

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"Não é essa nação que queremos, nós não somos os EUA. Não somos americanos, somos cidadãos brasileiros, que queremos a paz", defendeu o deputado. "Agora, vai estar todo mundo armado ali dentro, imagine o inferno que será essa nação, com todos os políticos armados, imagine a discussão da reforma da previdência, se por chamar o ministro de tchutchuca terminou daquele jeito... Imagine todo mundo armado", continuou.

A nova medida assinada por Bolsonaro amplia a variedade de profissionais que têm direito ao porte, libera a importação de armamento e dá direito a proprietários rurais usarem a arma em toda a propriedade, além de flexibilizar o acesso de menores de idade a clubes de tiro. 

"Queremos um Brasil com educação. Com bandidos e marginais presos e aprendendo profissão, transformar os presídios em escolas agrícolas. Tirar os presídios dos centros urbanos e levá-los para onde tem terras agricultáveis", afirmou o deputado . "Os presidiários todos têm vontade de aprender uma profissão, estudar. Ao invés de matar, é bem melhor colocar para aprender uma profissão. Não existe pena de morte na nação", ressaltou.

A atuação do Pastor Sargento Isidorio , no entanto, desagradou a segurança da Câmara dos Deputados, que interferiu e pediu para o deputado encerrar o protesto. Segundo os parlamentares, os seguranças temiam que o ato fosse confundido com um atentado real e causasse confusão no Congresso.

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Após críticas sobre o decreto, o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros informou que   Bolsonaro não pretende alterar o decreto de armas . O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no entanto, afirmou que ele pode ser derrubado por conter irregularidades constitucionais.