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Jorge Henrique Cruz (SD), o Dedinho, presidente da Câmara de Nilópolis, teria um plano para matar o colega de Câmara Roberto de Barros (PTB)

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Agencia O Dia/
O presidente da Câmara de Nilópolis, vereador Jorge Henrique Cruz (SD) foi preso em casa

Policias civis da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) fazem, nesta quinta-feira, uma operação em vários pontos do Rio e da Baixada para cumprir três mandados de prisão e outros três de busca e apreensão.

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Na operação Dedo Podre, como foi batizada, um dos alvos é o presidente da Câmara de Vereadores de Nilópolis, Jorge Henrique da Costa Nunes (SD), conhecido como Dedinho. O vereador foi preso pouco depois das 6h em casa, no bairro Olinda.

Outros procurados são Ronaldo Izidoro e Valdevar Pereira da Silva Júnior. Todos eles são investigados pelo planejamento do assassinato do vereador Roberto de Barros Batista (PTB), o Betinho, que é policial civil.

Betinho passou a incomodar Dedinho após pedir um mandado de segurança para anular um ato do adversário político sobre a disputa pela Presidência da Câmara de Nilópolis.
De acordo com as investigações, Dedinho mandou Ronaldo contratar Fernando Boia de Faria para executar Betinho por R$ 200 mil. Fernando terceirizou os serviços para uma outra pessoa, mas o plano não deu certo. Essa pessoa revelou o plano para o próprio Betinho, dizendo que Fernando foi contratado por Ronaldo para executá-lo.

Fernando acabou sendo morto pela própria organização por não ter conseguido matar Betinho. O motorista dele sofreu uma tentativa de homicídio.

"O Valdevar auxiliava a quadrilha vazando informações passadas pelo próprio Betinho sobre sua rotina", acrescenta o titular da DHBF, o delegado Moyses Santana. "O Dedinho está preso temporariamente e vai responder pelo crime de homicídio e as investigações continuam para apurar o envolvimento de outras pessoas e mais detalhes do plano".

Dedinho recebeu os agentes, que também fazem buscas e apreensões em sua casa e encontraram cadernos com anotações. Eles também procuram por provas no gabinete do político, na Câmara de Vereadores.

Os policiais também estão em Duque de Caxias, ainda na Baixada; na Penha, Marechal Hermes e Vila da Penha, na Zona Norte da capital.

As investigações começaram no ano passado, quando, em uma operação a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), foi apreendido um caderno de Ronaldo com anotações no Complexo da Penha. Nele, havia informações sobre o planejamento do crime contra Betinho.

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De acordo com a Polícia Civil, durante as investigações, ficou claro que a organização criminosa criada por Dedinho comprova a existência de um problema antigo na Baixada Fluminense, onde matadores de aluguel organizam escritórios do crime para neutralizar rivais políticos.

O advogado de defesa de Dedinho, Odair Lima, disse que a investigação da Polícia Civil não tem "nexo". "A comunidade sabe que ele é da paz e atuante e todos da cidade gostam dele. Ele é candidato a prefeito de Nilópolis e (a partir de agora) haverá denúncias falsas. São denúncias falsas que não existem e não há provas. Ele não mata nem uma barata. Desafeto político todos têm, mas não há nada de fato. Quando você trabalha para o povo você tem desafetos", disse o representante do vereador .