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Para assessor, não há contradição entre adoção da política e fato de pesquisas mostrarem que maioria da população é contra acesso a armas

Bolsonaro
Reprodução/Instagram
Em Israel, Bolsonaro posou com arma e criticou lei do desarmamento; decreto de armas foi assinado neste ano

O assessor da Presidência Filipe Martins, conselheiro do presidente Jair Bolsonaro para assuntos internacionais, defendeu o decreto que estendeu o direito ao porte de armas  pra vinte categorias como um item da agenda liberal da gestão.

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Martins participou de uma palestra na manhã desta quinta-feira, em Brasília, no Instituto Rio Branco, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores. Ao longo do discurso, defendeu que o governo priorize medidas que atendam a “anseios populares” em detrimento de políticas que seriam influenciadas por mecanismos de “governança global”, como organismos multilaterais.

Ao ser questionado se o decreto, portanto, não entraria em choque com esta visão — o Datafolha registrou que 64% dos brasileiros são contra a posse de armas; o decreto foi além e ampliou o porte —, o assessor presidencial negou. Segundo ele, o referendo de 2005 em que a população decidiu a favor do comércio de armas de fogo é a autorização popular necessária para a política que foi implementado.

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"No caso das armas, não dependemos de pesquisa, porque tivemos um referendo que foi ignorado. A população foi ouvida, e o presidente decidiu seguir a determinação liberal. Não se olha para pesquisas (neste caso), porque temos algo muito mais concreto", afirmou Martins.

O assessor presidencial acrescentou que a liberdade de acesso a armas de fogo se insere em uma “tradição” de defesa de direitos. "Para que haja defesa dos direitos naturais, é necessário se proteger contra violência e exceções, inclusive as praticadas por autoridades. As armas estão nessa tradição", afirmou.

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