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MPF identificou que Antonio Carlos Correia da Silva, gerente de empresa do amigo de Michel Temer, tentou abrir contas para receber valor milionário

estratagema mostra conexão entre Michel Temer e Coronel Lima
Reprodução/MPF-RJ
Coronel Lima e Michel Temer são investigados pela força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro

Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro identificaram que Antonio Carlos Correia da Silva, gerente da empresa Argeplan, foi o responsável por tentativa de movimentação financeira de R$ 20 milhões, em outubro do ano passado. Essa movimentação consta de relatório produzido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e que integra as  investigações que culminaram nas prisões do ex-presidente Michel Temer (MDB) e de seu amigo pessoal João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, que é dono da Argeplan.

Na ocasião dos pedidos de prisão de Temer e do coronel Lima (que foi aceita pelo juiz Marcelo Bretas e posteriormente derrubada na segunda instância), o Ministério Público citou que, no Relatório de Inteligência Financeira produzido pelo Coaf, consta tentativa de depósito "no impressionante valor de R$ 20 milhões em espécie por pessoa que não quis se identificar nas contas da Argeplan, no dia 23/10/2018".

O Coaf , no entanto, retificou a informação a partir de comunicação feita pelo banco Santander no dia 26 de março. A instituição informou que Antonio Carlos Correia da Silva se apresentou na agência do banco na Avenida Heitor Penteado, em São Paulo, dizendo-se "procurador" da empresa Argeplan.

Antonio Carlos, então, solicitou a abertura de contas correntes para duas empresas e também uma conta pessoa física para Carlos Alberto Costa, sócio do coronel Lima.

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Antonio Carlos informou que essas contas deveriam receber "cerca de R$ 20 milhões" que estavam depositados em outro banco (Bradesco), e desconversou sobre a origem do dinheiro, limitando-se a dizer que era "apenas procurador das empresas e que o sócio João Baptista Lima Filho poderia prestar informações sobre a origem dos valores". O banco se negou a abrir as contas.

A Lava Jato alegou, em documento enviado ao juiz Marcelo Bretas, que a ação de Antonio Carlos "pode caracterizar tentativa de dissimulação ou ocultação de valores". Os procuradores citam que o coronel Lima e sua esposa, Maria Rita Fratezi, estavam processando o Bradesco em razão do fechamento de suas contas e que, por isso, havia razão para a tentativa de transferência de valores para outra instituição financeira.

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O MPF informou que instaurou procedimento investigatório criminal sobre o caso, uma vez que os procuradores enxergam haver "necessidade de aprofundamento das investigações de possíveis crimes de lavagem de dinheiro" acerca da tentativa de operação, já que Carlos Alberto Costa (o sócio do coronel Lima na Argeplan ) nem mesmo é sócio das empresas que Antonio Carlos disse representar.