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Três das oito pessoas intimadas foram depor na sede da Polícia Federal na capital paulista sobre o inquérito de fakenews do Supremo

Um dia após decisão do ministro Alexandre de Moraes de mandar a Polícia Federal  executar oito mandados de busca e apreensão contra pessoas que criticaram ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nas redes sociais, três dos alvos foram depor na superintendência regional da Polícia Federal de São Paulo, nesta quarta-feira (17).

Ativista Isabella Trevisani
Reprodução
Ativista Isabella Trevisani foi alvo de busca e apreensão do STF e prestou depoimento na PF nesta quarta-feira (17)

Isabella Trevisani, ativista de 22 anos, já havia dito nas redes sociais que não iria se intimidar com a decisão de Moraes, e lamentou a decisão do ministro do STF . Em frente ao prédio da Polícia Federal, segurando faixa de apoio à PF, fez elogios à corporação.

"Não estava em casa, quem recebeu os policiais foi a minha mãe. Eles foram super tranquilos e educados. A Polícia Federal presta sempre um ótimo serviço à nação brasileira. Não temos o que reclamar deles", afirmou. Na sequência, a ativista centrou suas críticas no Supremo.

"Eu espero que o STF comece a escutar a população. A gente não quer mais arbitrariedades que eles vêm fazendo, não queremos impunidade. Quando a gente vai pra rua contra o STF, é justamente para mostrar isso."

Isabella é presidente nacional do movimento Despertar Patriótico, movimento anticorrupção de direita, que esteve nos últimos atos na Avenida Paulista com carro de som. É um dos movimentos que comemorou o golpe de 1964 e teve integrantes agredidos no último dia 31 de março, também na Avenida Paulista.

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Outro que depôs na tarde desta terça-feira (16) foi o corretor de imóveis Carlos Antônio dos Santos, de 50 anos. Carlos, ao contrário de Isabella, não sabe se vai continuar se manifestando nas redes, e evita até usar o WhatsApp. Sua postagem que provocou a ação do STF foi feita somente pelo Facebook, e com pouco alcance.

"Eu vou preferir me submeter ao medo do que ao meu direito à liberdade de expressão. Estou me sentindo como se tivesse sofrido uma represália de algum ditador, como o Maduro", desabafou.

Carlos diz estar prejudicado profissionalmente, já que teve equipamentos apreendidos, como seu aparelho celular, com contatos de clientes.

Apesar da ação do STF , Isabella e Carlos continuam com todas as redes sociais ativas, apesar do bloqueio anunciado na decisão de Moraes.