Tamanho do texto

Paulo Chagas diz que nada tem a temer porque não espalhou mentiras contra ninguém e que presidente do STF extrapolou de suas atribuições legais

General Paulo Chagas
Reprodução
General Paulo Chagas chamou ministros do STF de 'diminutos fantoches'

O general da reserva Paulo Chagas, um dos  alvos centrais de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira (16), disse que mantém as críticas que vinha fazendo nas redes sociais ao Supremo Tribunal Federal (STF). Numa entrevista ao Globo , o general diz que nada tem a temer porque não espalhou mentiras contra ninguém. Ele argumenta que apenas emitiu opiniões e, por isso, não tem porque recuar.

"Como vou retirar as críticas? Se eu retirar as críticas vão dizer que sou um cagão. O Olavo de Carvalho (ideólogo de direita) disse que todos os generais são cagões. Eu não sou. É um engano dele. Os generais não são (cagões)", afirmou o general .

Chagas argumenta que apenas usou um blog e contas nas redes sociais para expressar opiniões pessoais sobre assuntos de interesse público. O general e outros internautas são investigados em inquérito aberto para apurar ataques e distribuição de notícias falsas contra o STF. "Fake news eu não faço. Minha opinião é minha opinião, não é fake news " disse.

Leia também: Alvo de buscas em investigação do STF, general Paulo Chagas ironiza: "Que honra"

O general afirmou ainda que o presidente do STF extrapolou de suas atribuições legais ao determinar a abertura de inquérito para investigar supostas ameaças a ministros do tribunal. Para ele, como entre os investigados não há ninguém com prerrogativa de foro, qualquer investigação dessa natureza teria que ser conduzida pela justiça comum e não pela Corte.

"O ministro Dias Toffoli mandou instituir um inquérito para calar a boca de pessoas que se colocavam como críticos de ministros ou do tribunal. Mandou abrir esse inquérito fora dos limites da autoridade dele", ponderou.

O general considerou um absurdo a ordem de apreensão do celular e do laptop usado por ele para fazer comentários nas redes sociais. Para ele, a investigação deveria se limitar aos pensamentos expostos por ele no blog e no Twitter. O conteúdo do que ele escreveu, e não publicou, não seria de relevância para o inquérito.

Na conversa que teve com o delegado, chefe da equipe de busca, o general se manifestou surpreso com o interesse da polícia no celular. Os dois conversaram no início das buscas na casa do general.

Leia também: STF usa lei da ditadura para enquadrar investigados sobre ofensas contra a Corte

"No meu celular vocês vão encontrar tudo o que eu coloco na rede. E se você tivesse levado meu celular eu não poderia estar aqui falando com você agora", concluiu o general .