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Alê Silva disse que procurou o vice-presidente por meio de mensagens e comunicou sobre as ameaças recebidas após fazer as denúncias à PF

Alê Silva na Câmara dos Deputados
Najara Araújo/Câmara dos Deputados
Alê Silva conversou com Mourão sobre a ameaça de morte sofrida por denunciar o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio


A deputada Alê Silva (PSL-GO), que acusou o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio , de ter feito ameaça de morte em duas ocasiões, disse nesta segunda-feira (15) ao jornal O Globo que a única pessoa do governo com quem falou desde que fez a denúncia foi o vice-presidente da República, Hamilton Mourão . Segundo a parlamentar, Mourão pediu para que ela tivesse "calma". 

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Antes de fazer a denúncia da ameaça de morte à Polícia Federal e de revelar publicamente o caso, ela conta que já tinha falado sobre a situação com líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO).      

"A única pessoa do Planalto que eu cheguei a conversar um pouquinho foi o general Mourão. A única coisa que ele me respondeu foi: 'Tenha a calma'", diz a deputada.

A conversa com Mourão , segundo ela, ocorreu por meio de mensagens. Segundo a deputada, o líder do governo a incentivou a denunciar o caso.

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"Quando eu conversei com o Major Vitor Hugo e disse que estava sendo pressionada, ele disse: 'Você está liberada, se quiser ir à polícia você pode ir, se quiser ir para a mídia, pode ir. Acho que até é uma forma boa de se resguardar. E aqui na Câmara peça proteção da Polícia Legislativa'", relatou a deputada.

Alê Silva diz não saber, entretanto, se o seu recado foi levado ao presidente Jair Bolsonaro. Ela diz que não tentou fazer contato direto porque julga que o presidente deve ter coisas mais importantes para fazer.

No sábado (13), Alê Silva disse que o ministro comunicou por via indireta sentir “ódio mortal” por ela e afirmou já ter sido xingada por Álvaro em ligação feita na madrugada. Segundo Alê, o ministro “usa” o presidente Jair Bolsonaro, que resiste em demiti-lo do cargo.

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"Eu de fato me sinto ameaçada, pelos últimos acontecimentos. Ele (o ministro) não fala diretamente comigo. Essas pessoas não usam mais telefone, têm medo de estar grampeadas. Então mandam interlocutores. Um viajou 216 quilômetros para me falar pessoalmente, pedir para eu não levar adiante mais nada, que o ministro já estava ciente que fui eu que entreguei informações para denúncia ao Ministério Público. E que ele estava com ódio mortal de mim, que se eu soubesse de mais alguma coisa, que era para eu ficar quieta", afirmou a deputada.

Segundo a acusação feita por Alê, que está em seu primeiro mandato na Câmara, a ameaça de morte feita pelo ministro do Turismo é uma reação às acusações relacionadas a um suposto esquema de candidaturas laranjas de mulheres pelo PSL. A deputada reuniu informações sobre o caso e entregou a uma associação de sua região, para que fossem repassadas ao Ministério Público. 

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