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Enquanto militares "celebram em silêncio", canal oficial do Palácio do Planalto disparou material exaltado o golpe de 1964; veja o vídeo

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Reprodução
Material disponibilizado pelo Palácio do Planalto exaltou o a ditadura militar

A polêmica envolvendo o governo e a comemoração do aniversário do golpe de 1964 parace não ter fim. Após pedido do presidente Jair Bolsonaro para que as Forças Armadas fizessem as 'comemorações devidas' na data, o Palácio do Planalto divulgou um vídeo de exaltação à ditadura militar em seu canal oficial no aplitivo de mensagens WhatsApp.

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No material, um ator na casa dos 70 anos argumenta que pessoas que estão na mesma faixa de idade se lembram do "tempo que nosso céu não tinha mais estrelas" ."Era, sim, um tempo de medo e ameaças, ameaças daquilo que os comunistas faziam onde era imposto sem exceção, prendiam e matavam seus próprios compatriotas", diz o homem. Que ainda pede para que os mais jovens "pesquisem para saber que isso é verdade".

"Foi aí que, conclamado por jornais, rádios, TVs e, principalmente, pelo povo na rua, povo de verdade, pais, mães, igreja que o Brasil lembrou que possuía um Exército Nacional e apelou a ele. Foi só aí que a escuridão, graças a Deus, foi passando, passando, e fez-se a luz", continua o ator.

Nos últimos segundos do vídeo, a bandeira do Brasil aparece ao fundo e o hino nacional começa a tocar, e o homem complementa. "A bandeira verde a amarela voltou a tremular. O exército nos salvou. Não há como negar. E tudo aconteceu num dia como e de hoje, um 31 de março. Não há como mudar a história", diz.

Confira o vídeo divulgado pelo Planalto.



Procurada, a assessoria do Palácio do Planalto confirmou que o vídeo foi, de fato, divulgado por um de seus canais oficiais, mas afirmou que não se pronunciará sobre o material. Eduardo Bolsonaro, terceiro filho do presidente Jair Bolsonaro , compartilhou a publicação na manhã deste domingo.

Forças Armadas celebram golpe em silêncio

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Divulgação
Exército acabou o pedido de Bolsonaro, mas optou por celebrações discretas

Apesar do ímpeto do governo federal, as Forças Armadas optaram pela discrição na hora de relembrar o aniversário do golpe militar . Já conhecidos por serem a ala mais moderada no governo, os militares voltaram a colocar panos quentes em uma polêmica, já que o pedido do presidente causou irritação em boa parte da população.

O Ministério da Defesa informou, por meio de nota oficial, que não realizaria comemorações públicas no aniversário do golpe . Ao invés disso, eles realizaram programas internos e painéis para examinar os eventos que levaram à tomada do poder pelo militares no Brasil, o que aconteceu durante o regime e a importância do retorno à democracia em, que aconteceu apenas em 1985.

Nas redes sociais, o silêncio também imperou nas contas administradas por militares. Os perfis oficiais de Exército, Marinha e Força Aérea ignoraram completamente a datas. Em suas contas pessoais, militares de alta patente, em geral, também preferiram se calar sobre o aniversário.

Um dos únicos a lembrar a data, o General Ramos foi ao Twitter, mas fez questão de usar um tom celebratório. "Temos que ter a grandeza reconhecer o passado e tirarmos lições", escreveu, de uma maneira quase apologética sobre a ditadura .

Na última quarta-feira (27), o Ministério Público Federal enviou um documento para comandos militares de 18 estados recomendando a não comemoração sobre o golpe de 31 de março.

A ordem do presidente chegou a ser proibida por um juíza federal do Distrito Federal, mas a decisão foi anulada por uma desembargadora, que voltou a liberar as comemorações.

“Brigadas, grupamentos, comandos especiais, academias militares das forças armadas e outras unidades que integram Comandos Militares em todo o país devem se abster de promover ou tomar parte de qualquer manifestação pública, em ambiente militar ou fardado, em comemoração ou homenagem ao período de exceção instalado a partir do golpe de 31 de março de 1964”, dizia o comunicado.

Capitão do Exército reformado, Jair Bolsonaro construiu sua carreira política de deputado como grande defensor do golpe de 1964 . Em discursos no Plenário da Câmara, o então parlamentar chegou a pedir a volta da intervenção militar como solução aos problemas do Brasil.

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Considerado golpe militar pelos historiadores do Brasil e do mundo, a tomada de poder em 31 de março de 1964 destituiu o então presidente João Goulart, dando início a um período de 21 anos de ditadura militar.