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“Cadê os projetos?”, questionou a deputada ao ministro Ricardo Vélez, que participava de sessão da Comissão de Educação da Câmara; Tábata disse que o Ministério apresentou "lista de desejos"; vídeo da fala viralizou na internet

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Reprodução/Instagram
Tábata Amaral é astrofísica e cientista política e foi eleita para seu primeiro mandato como deputada federal aos 24 anos

A deputada Tábata Amaral (PDT-SP) pressionou o ministro da Educação, Ricardo Vélez, sobre as propostas do Ministério da Educação (MEC). “Cadê os projetos?”, questionou Tábata a Vélez, que participava de uma sessão da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados na tarde de quarta-feira (27) justamente para apresentar e discutir propostas.

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Tábata Amaral , que tem apenas 25 anos e está em seu primeiro mandato, afirmou que o que foi apresentado pelo ministro era uma “lista de desejos”. Para a astrofísica e cientista política, após o fim do primeiro trimestre de governo o Ministério deveria ter planos mais sólidos. “São três meses de governo, a gente consegue fazer mais do que isso”, afirmou.

"Em um trimestre, não é possível que o senhor apresente um powerpoint com dois, três desejos para cada área da educação. Cadê os projetos? Cadê as metas? Quem são os responsáveis? Isso daqui não é planejamento estratégico, isso e uma lista de desejos. Eu quero saber onde que eu encontro esses projetos? Quando cada um começa a ser implementado? Quando serão entregues? Quais são os resultados esperados? São três meses, a gente consegue fazer mais do que isso", disse Tábata.

O vídeo com a intervenção da deputada viralizou e teve milhares de visualizações em apenas algumas horas. No Twitter, a fala de Tábata foi um dos assuntos mais comentados da noite. Ela também se manifestou por meio da mesma rede social, compartilhando o vídeo de sua intervenção e reiterando as críticas ao ministro, e recebeu grande apoio.

Como resposta, Ricardo Vélez afirmou que não tinha dados quantitativos disponíveis no momento. “Se a senhora quer ouvir cada uma das minhas secretarias pode, porque são eles que têm os dados quantitativos”, informou o ministro.

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Em sua tréplica, a deputada manteve o tom duro. "Eu não espero mais nenhuma resposta, já entendi que isso não vai acontecer. A mim, me resta lamentar o que está acontecendo, continuar o meu trabalho de educação, que não começa com este mandato, e esperar que o senhor mude de atitude - o que parece completamente improvável - ou saia do cargo de ministro da Educação."

Veléz respondeu aos questionamentos de Tábata com bastante irritação: "Se a senhora não espera nenhuma resposta, para que faz perguntas?". Ele também foi duramente questionado sobre as recentes nomeações e demissões que aconteceram em importantes cargos da pasta.

O ministro afirmou que continuará no MEC e só sai se o presidente o demitir. Rumores sobre a possível queda de Ricardo Vélez circularam ao longo da semana. Nesta quarta-feira, no entanto,  Jair Bolsonaro negou a saída de Vélez do comando do Ministério.

Além das críticas de Tábata Amaral , Ricardo Vélez também foi  alvo de Túlio Gadêlha (PDT-PE), que disse que o ministro dá "um péssimo exemplo, pois veio para a prova sem estudar”. Fernanda Melchionna (PSOL-RS) pediu a renúncia do ministro. "Não me parece que tenha muita solução a não ser o senhor de fato renunciar ao cargo. Por favor,  faça suas malas".