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General Santos Cruz, da Secretaria de Governo, mostrou-se incomodado com as críticas do escritor à ala militar de Bolsonaro, principalmente a Mourão

General Santos Cruz  chamou Olavo de Carvalho de
Flickr Monusco
General Santos Cruz chamou Olavo de Carvalho de "inconsequente"

O ministro da Secretaria de Governo, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, criticou o escritor Olavo de Carvalho, considerado o 'guru intelectual do governo Bolsonaro'. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo  publicada nesta segunda-feira (25), o ministro afirmou que Olavo é "desequilibrado". 

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“Eu nunca me interessei pelas ideias desse sr. Olavo de Carvalho . Por suas últimas colocações na mídia, com linguajar chulo, com palavrões, inconsequente, o desequilíbrio fica evidente”, opinou Santos Cruz.

O ministro reagiu às críticas de Olavo sobre os militares que hoje fazem parte do governo, principalmente o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB). Recentemente, o escritor afirmou que Mourão é "um cara idiota, um estúpido". “Não o critico, eu o desprezo”, disparou Olavo, atacando também toda a cúpula militar do governo. 

“Ele (Bolsonaro) não reage porque aquele bando de milico que o cerca é tudo um bando de cagão, que tem medo da mídia. Por que eles têm medo da mídia? Porque quando terminou a ditadura militar, eles viram que estavam todos queimados com a mídia, foram para casa e decidiram agora fazer o papel de bonzinho. O que o Bolsonaro tem a ver com isso? Nada. É um homem sozinho, não pode confiar nos que o cercam, não pode confiar na mídia”, completou.

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No dia seguinte, o escritor participou de um jantar de recepção ao presidente em uma viagem aos Estados Unidos e, mesmo após as críticas, foi elogiado por ele no discurso. “Um dos grandes inspiradores meus está aqui à minha direita, o professor Olavo de Carvalho, inspirador de muitos jovens no Brasil. Em grande parte, devemos a ele a revolução que estamos vivendo”, ressaltou Bolsonaro. 

Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente, afirmou que o escritor "é uma das pessoas mais importantes da história do Brasil" e que, sem ele, " Bolsonaro não existiria". O ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda disse a Olavo que ele é "o líder da revolução". 

A ala militar do governo, no entanto, não parece concordar. Além das críticas de Santos Cruz , Mourão também mostrou-se incomodado com as ofensas vindas do escritor e afirmou que Olavo não o conhece e não conhece suas ideias. 

Na semana passada, Olavo de Carvalho reuniu-se com uma plateia de cerca de 100 pessoas nos EUA e afirmou que, até hoje, não sabe quais são as ideias políticas de Bolsonaro. "Conversei com ele quatro vezes na vida, porra", disse. Ele ainda apontou que, se o governo "continuar como está", pode acabar em seis meses . "Mesmo se o Bolsonaro fosse dono de um bordel ele seria menos perigoso que o Fernando Haddad, por isso o povo votou nele, não por causa de suas ideias políticas”, completou o escritor.