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Olavo também afirmou que até hoje não sabe quais são as ideias políticas de Bolsonaro, mas o apoia por ele ser “um homem honesto e não ser ladrão”

Ensaísta e filósofo Olavo de Carvalho é guru intelectual do governo Jair Bolsonaro (PSL)
Reprodução
Ensaísta e filósofo Olavo de Carvalho é guru intelectual do governo Jair Bolsonaro (PSL)

Olavo de Carvalho reuniu-se com uma plateia de cerca de 100 pessoas, entre fãs e representantes da direita americana, e afirmou que até hoje, não sabe quais são as ideias políticas do presidente Jair Bolsonaro, mas que o apoia por ele ser "um homem honesto e não ser ladrão". O filósofo também previu que se nada mudar, o governo Bolsonaro pode acabar em seis meses.

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"Eu não sei quais são as ideias políticas dele [Bolsonaro]. Conversei com ele quatro vezes na vida, porra", afirmou a jornalistas. Na saída, Olavo de Carvalho mostrou-se pessimista com o futuro do Brasil e disse que, se o governo continuar como está por mais seis meses, acabou.” Ele afirmou que “o presidente está de mãos amarradas. Não sou capaz de prever [até onde vai] mas, se tudo continuar como está, já está mal. Não precisa mudar nada para ficar mal, é só continuar isso mais seis meses e acabou".

Mesmo com as previsões negativas, Olavo defende o presidente brasileiro: "Mesmo se o Bolsonaro fosse dono de um bordel ele seria menos perigoso que o Fernando Haddad, por isso o povo votou nele, não por causa de suas ideias políticas”, disse.

No evento que aconteceu no Trump International Hotel, em Washington, Olavo foi apresentado por Steve Bannon à plateia. O ex-estrategista de Donald Trump definiu o brasileiro de peça importante para o que ele chama de "O Movimento", grupo de governos populistas de direita em ascensão em países como Brasil, EUA, Hungria e Itália. "Olavo não é importante apenas para o Brasil, ele tem uma importância no contexto mundial do movimento populista de direita, é um pensador seminal", descreveu.

Os convidados assistiram a uma exibição do documentário sobre a vida do filósofo, Jardim das Aflições. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), prestigiou o evento e também não economizou elogios ao guru, "uma das pessoas mais importantes da história do Brasil". "Olavo de Carvalho é uma inspiração e sem ele Jair Bolsonaro não existiria", disse Eduardo.

Após o filme, Olavo respondeu a perguntas da plateia. Nesse momento, o filósofo atacou a imprensa dizendo que "todos os jornalistas são viciados em drogas" e culpou a mídia pela imagem internacional de Bolsonaro de fascista e violento.

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"Se o Bolsonaro fosse um homem assim violento, fascista, por que ele seria tão amado pelo povo? Essa foi uma imagem criada pelos jornalistas. E é a imagem passada pela imprensa internacional", defendeu. "A mídia é louca, todos os jornalistas são viciados em drogas."

Além das críticas à imprensa, o escritor também disse que o presidente está cercado de traidores e declarou que despreza o vice-presidente, general Hamilton Mourão. Segundo Olavo, Mourão "é estúpido" e tem uma "vaidade monstruosa". Para Olavo, Mourão se mostrou falso. "Assim que foi empossado, ele mudou 180 graus: foi para o outro lado em aborto, desarmamento, não quer derrubar o (ditador venezuelano Nicolás) Maduro."

Olavo ainda acusou o vice de ter uma mentalidade golpista. "O Mourão disse isso: 'nós voltamos ao poder por vias democráticas'. Como 'voltamos'? Quem está no poder é o Bolsonaro, não vocês. Agora eles acham que estão no poder. E isso o que é? Golpe. É uma mentalidade golpista. Essa concepção, que é a do Mourão, é uma concepção golpista. Não sei se o golpe vai acontecer, já aconteceu, não estou em Brasília, não sei".

Ele avalia que os principais nomes ao redor do presidente — da ala militar do governo — são má influência e têm atuado para prejudicar Bolsonaro. "Ele [Bolsonaro] deveria parar de ouvir maus conselhos. Ele é um homem sozinho, não pode confiar naqueles que os cercam, na mídia, ele tem que confiar no povo".

Segundo o escritor, Bolsonaro não tem reagido ao que ele chama de "fake news" por causa da ala militar do governo. "Ele não reage porque aquele bando de milico que os cerca é um bando de cagão que têm medo da mídia".

Apesar de ser o responsável pela indicação de dois ministros, Ricardo Vélez, da Educação, e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, Olavo nega e desdenha ter influência no governo. Segundo ele, isso é "pequeno, vil e miserável" diante de suas ambições.

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"Eu quero mudar o destino da cultura do Brasil, décadas ou séculos à frente. Esse é meu sonho, o governo que se foda, eu estou cagando para o governo. Eu sou Olavo de Carvalho, não preciso do governo, minha filha. Eu sou um escritor, falo direto com meu público, não preciso de um cargo do governo".

Olavo negou que tenha interferido nas demissões e nomeações no Ministério da Educação. "Só falei com (Velez) duas vezes: uma vez para parabenizá-lo, quando foi nomeado, e a segunda para mandar tomar no cu", disse. "Eu sugeri o nome dele para a Educação e encheram o ministério de picaretas."

Por fim, ao ser questionado se estava otimista sobre o governo, afirmou que não, porque, na sua opinião, a mídia inteira quer matar Bolsonaro e o presidente não tem direito de defesa. "Isso é um golpe de Estado, vocês não estão entendendo? A classe jornalística, todos vocês", afirmou aos repórteres.

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Olavo de Carvalho afirmou, no entanto, que não vai falar sobre isso com o presidente neste domingo (17). O escritor vai participar do jantar oferecido ao presidente na  quando vai na casa do embaixador brasileiro, Sérgio Amaral. “Você acha que vai dar para conversar isso com ele? Não. Eu vou lá para comer".