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Chefes de estado trocaram elogios e falaram sobre a crise na Venezuela e parceria comercial, mas não deram detalhes; comitiva volta à Brasília hoje

Bolsonaro e Trump falaram com a imprensa após reunião na Casa Branca
Divulgação/Planalto
Bolsonaro e Trump falaram com a imprensa após reunião na Casa Branca

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o chefe de estado dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, no início da tarde desta terça-feira (19). Os dois tiveram uma conversa a sós que durou cerca de 20 minutos. Depois, as comitivas foram convidadas ao Salão Oval para dar sequência ao diálogo.

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Logo após o fim do encontro, os presidentes fizeram um pronunciamento à imprensa. "Ele tem feito um trabalho espetacular", disse Trump sobre Bolsonaro . "O Brasil é um grande amigo e nossos países nunca estiveram tão próximos quanto estão agora", completou o norte-americano. O republicano também fez questão de lembrar o quanto as campanhas dos dois foram parecidas.

"Depois de décadas de presidentes 'anti-americanos', o Brasil mudou a partir de 2019. Temos muito a conversar e muito a oferecer aos nossos povos. Tenho muita coisa em comum com o senhor Donald Trump . Podem ter certeza que, a partir de hoje, o Brasil estará muito mais engajado com os Estados Unidos", disse o presidente brasileiro.

Depois, o norte-americano presenteou o brasileiro com uma camisa da seleção de futebol dos Estados Unidos. Bolsonaro repetiu o gesto e deu uma camisa da Seleção ao republicano.

Questionado pelos jornalistas sobre qual seria a contrapartida dos norte-americanos após o Brasil ceder a base Alcântara, Trump respondeu que a relação comercial entre os dois países nunca foi tão forte. "Estamos trabalhando em várias questões militares e sobre as questões dos vistos para tudo funcionar com mais facilidade", afirmou o republicano.

"Vamos discutir a questão da Venezuela, comércio, vários temas, o Brasil é um grande amigo", disse o chefe de estado norte-americano. Ainda sobre a questão venezuelana, Trump disse que a "opção militar ainda está em cima da mesa".

Após o pronunciamento, as comitivas se reuniram para um almoço e, depois, os dois presidentes concederam uma nova declaração e deram mais detalhes sobre a reunião.

"A relação do Brasil com os Estados Unidos é melhor que jamais foi" reitetrou Trump, que voltou a parabenizar Bolsonaro pela vitória nas eleições e citou a recuperação do brasileiro após o atentado a facada.

Depois, o norte-americano falou sobre a situação da Venezuela e elencou o Brasil como um grande aliado para resolver o impasse. 

Bolsonaro, por sua vez, agradeceu o republicano pela hospitalidade e convidou Trump para visitar o Brasil. "Sempre fui um grande admirador dos Estados Unidos", disse o brasileiro. "Faremos uma parceria inédita entre Brasil e Estados Unidos. Hoje, destravamos assuntos que estavam em pauta há décadas", completou.

Ele ainda defendeu que as reformas vão ajudar a equilibrar a economia brasileira e agradeceu o apoio norte-americano para a entrada do Brasil na OCDE e disse que a extinção dos vistos para cidadãos dos Estados Unidos vai estimular o turismo e a economia.

Ele também atacou o regime venezuela e o "Foro de São Paulo" e disse que Brasil e Estados Unidos estão juntos "na defesa da liberdade, no respeito à família tradicional; e contra a ideologia de gênero, o politicamente correto e as fake news".

Mais cedo, em reunião com secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, o presidente brasileiro discutiu, em especial, a situação na Venezuela. O Brasil faz parte do grupo de mais de 50 países que reconhecem Juan Guaidó como presidente do país. Estados Unidos e União Europeia, assim como OEA, também reconhecem o opositor da Maduro.

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"Hoje nos encontramos com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, o chanceler Ernesto Araújo e ministros do Gabinete para promover o processo de redemocratização na Venezuela iniciado pelo presidente Juan Guaidó", escreveu Almagro em suas redes sociais.

Durante a tarde, o presidente participará de uma cerimônia que homenageia soldados que morreram nas guerras. Depois, ele concederá uma entrevista para uma emissora de rádio e, por fim, fará um encontro com "lideranças religiosas". Após o jantar, a comitiva brasileira pega o avião para Brasília. A chegada está prevista para a manhã desta quarta-feira (20). 

Essa é a primeira viagem internacional de Bolsonaro desde que assumiu o cargo de presidente da República. 

A estadia de  Bolsonaro  no Brasil será curta, uma vez que, na quinta-feira (21), o presidente partirá para o Chile, onde participa da Cúpula do Prosur, grupo que se destina a implementar medidas de interesse comum dos países da América do Sul.