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Apesar do forte esquema de segurança que o Palácio da Alvorada oferece ao presidente da República, Bolsonaro disse que se sente mais protegido assim; declaração foi dada ontem, dia em que o porte de armas voltou à virar pauta

Mesmo em Brasília, presidente Jair Bolsonaro diz que não se sente seguro sem dormir com uma arma ao lado da cama
Alan Santos/PR - 19.2.19
Mesmo em Brasília, presidente Jair Bolsonaro diz que não se sente seguro sem dormir com uma arma ao lado da cama

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que, mesmo ocupando o cargo mais importante do País e vivendo sob o forte esquema de segurança do Palácio da Alvorada, tem o costume de dormir com uma arma ao lado da própria cama. A declaração do presidente foi dada nesta quarta-feira (13), durante um café com jornalistas, no mesmo dia em que a discussão sobre o porte e a posse de armas voltou à tona com o massacre em Suzano, na Grande São Paulo.

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No entanto, a declaração de Bolsonaro foi dada pela manhã de ontem, antes da ataque que deixou dez mortos em uma escola estadual paulista. Segundo informações do jornal Folha de São Paulo , o presidente disse que considera que o Palácio da Alvorada, mesmo com todo o policiamento que possui, oferece riscos, e afirmou que se sente mais protegido com a arma perto da cama. Segundo Jair Bolsonaro , sua esposa, Michelle, compreende sua posição. 

Depois do ataque de ontem, o deputado Capitão Augusto (PR-SP), coordenador da bancada da segurança pública da Câmara, conhecida como ‘ bancada da bala ’, afirmou que episódios como o massacre de Suzano não mudarão a disposição dos aliados do presidente em relação à flexibilização do porte de armas de fogo. Ainda segundo o deputado, o tiroteio poderia ter sido evitado caso os “cidadãos de bem” que estavam no local portassem armas de fogo.

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“Isso não interfere absolutamente em nada na política que nós temos de flexibilizar o porte de arma. Isso é uma questão muito racional, muito estudada, não é um fato ou outro como esse que vai fazer com que a gente desista”, declarou Augusto à  CBN.

Da mesma forma relatou o senador Major Olímpio (PSL-SP), que apontou “fracasso da política desarmamentista” e alegou que a tragédia poderia ter sido evitada caso os funcionários estivessem portando armas de fogo no momento em que a escola foi invadida.

Ontem, ainda no café da manhã e antes de qualquer informação sobre Suzano, Bolsonaro se limitou a dizer, a respeito do polêmico projeto de lei que trata do porte de armas, que o texto será enviado ao Congresso e que não terá regras tão rígidas como as atuais.

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Uma das principais promessas de campanha de Bolsonaro, a flexibilização do Estatuto do Desarmamento foi atendida logo no início do mandato por meio de um decreto. Na ocasião, o presidente afirmou que "como o povo soberanamente decidiu por ocasião do referendo de 2005, para lhes garantir esse legítimo direito à defesa, eu como presidente vou usar essa arma", disse Jair Bolsonaro , ao mostrar uma caneta e assinar o documento.