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Parlamentares afirmaram que ato era protesto contra violência animal; deputado que rasgou a placa em homenagem à vereadora estava presente

Deputados organizaram ato em memória de Marielle e cobraram investigações sobre mandante do assassinato
Reprodução/Twitter
Deputados organizaram ato em memória de Marielle e cobraram investigações sobre mandante do assassinato

Um ano após a morte de Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, parlamentares do PSOL e de outros partidos de esquerda realizaram um ato nesta quinta-feira (14), no salão verde da Câmara, para cobrar investigações sobre o mandante do assassinato. Dez minutos depois, outro grupo de deputados entrou no local com sons de latidos de cachorro. 

Na última terça-feira (12), dia em que dois suspeitos de terem executado a vereadora foram presos , o PSOL convocou em suas redes sociais o ato para a tarde de hoje. "Nesta semana, prenderam quem apertou o gatilho, mas a gente ainda não sabe quem mandou apertar o gatilho", disse Sâmia Bomfim (PSOL), enquanto outros deputados levantavam faixas com os dizeres "Quem matou Marielle?". 

“Não existe milícia sem Estado. O Estado tem sangue nas mãos”, discursou Talíria Petrone, amiga e aliada de Marielle. Enquanto isso, outros oito parlamentares de partidos da direita se posicionaram a poucos metros do protesto, com caixas de som que emitiam latidos e faixas contra a violência animal. 

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Ao lado do protesto por Marielle, deputados fizeram ato contra violência animal
Reprodução/Twitter
Ao lado do protesto por Marielle, deputados fizeram ato contra violência animal

Eles posaram para fotos e pediram maior pena para acusados de maus-tratos contra os animais. O protesto foi organizado por Fred Costa (Patriota-MG), que informou que convocou o ato na véspera, por conta do Dia Nacional do Animal, e pediu "um minuto de silêncio por todos os animais que lamentavelmente são maltratados ou sacrificados". 

Entre os parlamentares  que participavam do protesto contra a violência animal, estava Daniel Silveira (PSL), que aparece em uma foto rasgando uma placa em homenagem a Marielle no ano passado, com o deputado Rodrigo Amorim, também do mesmo partido. 

Ao jornal Folha de S.Paulo , Silveira disse que não sabia da homenagem à vereadora e que não há motivos para constrangimento. “Na verdade eu me senti incomodado porque eu sabia que eles iam distorcer o fato dos latidos como se estivéssemos zombando deles", afirmou.

“Você vai me desculpar. Querer polemizar que estamos querendo desmerecer a morte de alguém, mesmo porque não atrapalhamos em nada. Queremos inclusive que seja apurado qualquer caso de assassinato a parlamentar ou não parlamentar e de maus-tratos a animais também. Somos contrários à violência ", disse Fred Costa.

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Em nenhum momento os deputados dos dois protestos interagiram. Para o deputado Ivan Valente (PSOL), que participava do ato em memória de Marielle, o outro protesto foi uma "provocação inútil", que "mostra que eles não estão aguentando as investigações chegarem perto deles e as milícias próximas ao partido dele”, disse.