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Polícia Federal reportou à Lava Jato que familiares dificultaram acesso à casa do suposto operador do PSDB; em Curitiba, MPF pede manutenção de prisão e, em Brasília, PGR recorre contra decisão de Gilmar Mendes a favor de Preto

Polícia Federal encontrou apenas carregadores no apartamento de Paulo Preto, em São Paulo
Divulgação/PF-PR
Polícia Federal encontrou apenas carregadores no apartamento de Paulo Preto, em São Paulo

Os agentes da Polícia Federal que cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de Paulo Vieira de Souza , o Paulo Preto, em São Paulo, localizaram vários cabos e fontes de carregadores de celular. No entanto, nenhum aparelho foi encontrado no local.

O fato levou o delegado da PF Alessandro Netto Vieira a comunicar ao Ministério Público Federal (MPF) "possível obstrução às investigações por parte" de Paulo Preto e seus familiares. A suspeita é corroborada pela "demora excessiva" para permitir o acesso dos policiais ao apartamento do ex-diretor da Dersa (estatal paulista de infraestrutura rodoviária).

A força-tarefa da Lava Jato usou as informações da Polícia Federal para defender a manutenção da prisão preventiva de Vieira de Souza. Em manifestação enviada à Justiça Federal em Curitiba, os procuradores liderados por Deltan Dallagnol argumentam que "os elementos suscitados se prestam a reforçar os fatos e fundamentos que ensejaram o acautelamento preventivo do acusado, mormente o risco à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal".

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PGR recorre contra decisão de Gilmar a favor de Paulo Preto

Delatores acusam ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza de ter cobrado propina por contrato do Rodoanel
Geraldo Magela/Agência Senado - 29.8.12
Delatores acusam ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza de ter cobrado propina por contrato do Rodoanel

O ex-diretor da Dersa foi preso por acusação de ter atuado em esquema de lavagem de dinheiro junto ao setor de Operações Estruturadas da Odebrecht (o chamado setor da propina da empreiteira). Paulo já era investigado em duas ações penais na Operação Lava Jato em São Paulo, onde ele é réu por desvios em obras do Rodoanel e por favorecer cartel de empresas.

O Ministério Público, no entanto, levou o caso do suposto operador do PSDB para Curitiba alegando que o esquema de lavagem da Odebrecht resultava no pagamento de propina a diretores da Petrobras. Na capital paranaense, Paulo Preto fica fora do alcance das mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes , que relatava recursos do ex-diretor da Dersa em São Paulo.

Gilmar já tirou Paulo Preto da prisão duas vezes e, na semana passada, proferiu decisão que pode levar uma das ações contra ele a prescrever . A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu nesta semana contra essa determinação, que significaria a retomada da fase de produção de provas na ação sobre desvios do Rodoanel – prolongando o processo.

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