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Doleiro relatou a procuradores que precisava de uma perua para retirar de apartamento em São Paulo as malas cheias de dinheiro; ex-diretor da Dersa dava banho de sol em notas para evitar que o dinheiro embolorasse

Bunker de Paulo Preto em São Paulo tinha o dobro do encontrado no do ex-ministro Geddel Vieira Lima, diz Lava Jato
Divulgação/Polícia Federal
Bunker de Paulo Preto em São Paulo tinha o dobro do encontrado no do ex-ministro Geddel Vieira Lima, diz Lava Jato

O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, mantinha em São Paulo um bunker com mais de R$ 100 milhões em espécie, segundo a força-tarefa da Operação Lava Jato. O valor representa quase o dobro do encontrado em 2017 em outro bunker, o do ex-ministro Geddel Vieira Lima , que armazenava R$ 51 milhões, em Salvador (BA).

Pauto Preto foi preso nesta terça-feira (19) na 60ª fase da Lava Jato , que apura esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o ex-diretor da estatal paulista de infraestrutura rodoviária.

Paulo já é velho conhecido da Lava Jato em São Paulo, onde ele é apontado como operador de propinas de agentes do PSDB e responde a duas ações penais . A nova ordem de prisão preventiva contra ele partiu de Curitiba devido ao elo entre sua atuação e o pagamento de propina a diretores e gerentes da Petrobras.

De acordo com as investigações, o ex-diretor da Dersa foi escalado pelo setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – o chamado 'setor da propina' – para atuar na operação de lavagem de dinheiro da empreiteira entre os anos de 2010 e 2011. Essa relação se deu após indicação do doleiro Adir Assad, cujos depoimentos em delação premiada foram um dos principais fatores que levaram à deflagração da nova fase da Lava Jato.

Segundo Assad, o nome de Paulo Preto foi recomendado à Odebrecht porque ele possuía grande quantidade de dinheiro em espécie: cerca de R$ 110 milhões. 

"Esse dinheiro estava acondicionado em dois endereços: uma residência em São Paulo e um apartamento que, segundo revelado por Adir Assad, era o local onde Paulo preto tinha um bunker para guardar propinas", explicou o procurador Roberson Pozzobon. "Não nos remete aqui ao bunker da família Geddel, que escandalizou a população brasileira. Mas, se nós formos levar em consideração, talvez o bunker de Paulo Preto tivesse o dobro do dinheiro do bunker do Geddel", completou.

Paulo Preto dava banho de sol em notas para dinheiro não embolorar

Ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, durante depoimento na CPI do Cachoeira
Antonio Augusto/Agência Câmara
Ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, durante depoimento na CPI do Cachoeira

Assad relatou aos investigadores que precisava de ajuda para recolher o dinheiro nesse bunker e se valia de uma perua para transportar até dez malas cheias de dinheiro a cada vez.

"O escárnio era tão grande que o Adir não conseguia buscar todos os valores por si. Então ele mandava emissários. Nesse apartamento, tinha um quarto só para guardar notas de dinheiro. Só que, como era um quarto úmido, algumas vezes o Paulo Preto colocava as notas de reais para tomar sol porque, se não, elas emboloravam", explicou Pozzobon, segundo os quais essas informações foram passadas pelos próprios operadores de Adir Assad.

As investigações que levaram à 60ª fase da Lava Jato foram corroboradas por depoimentos de delatores, como o já citado Adir Assad e também executivos da Odebrecht, por documentos e trocas de mensagens, e também por informações obtidas por meio de colaborações internacionais com as autoridades de Suíça, Bahamas, Cingapura e Espanha.

Segundo a Lava Jato, ainda há valores movimentados ilicitamente pelo ex-diretor da Dersa que ainda não tiveram o paradeiro identificado. "Ainda há que se procurar", prometeu o procurador de Curitiba.

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Paulo Preto foi preso logo nas primeiras horas da manhã em sua casa, na capital paulista, e levado à 5ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, onde tinha audiência marcada no âmbito de outra ação penal. De lá, ele foi levado para exame de corpo de delito no IML e passará o resto do dia na Superintendência da Polícia Federal em SP. Posteriormente, ele será transferido para a sede da PF em Curitiba.