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Polícia Federal vai ajudar promotores de Minas Gerais a recolher provas sobre o caso; Marcelo Álvaro Antônio nega acusações do suposto esquema

 Marcelo Álvaro, ministro do Turismo de Bolsonaro, nega todas as acusações sobre o esquema
Valter Campanato/ABr
Marcelo Álvaro, ministro do Turismo de Bolsonaro, nega todas as acusações sobre o esquema

A Polícia Federal decidiu nesta sexta-feira (22) que vai investigar o esquema de candidatas laranjas do PSL de Minas Gerais vinculadas ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. A decisão ocorreu após uma reunião entre delegados federais e o promotor de Justiça em Minas Gerais Fernando Ferreira Abreu, responsável pela apuração na parte eleitoral do caso.

O objetivo é que a Polícia Federal ajude os promotores na busca de mais provas sobre o caso ocorrido nas eleições passadas. Na próxima quarta-feira (27), o promotor deve enviar o material do caso envolvendo o ministro do Turismo à PF.

A equipe terá acesso a termos de depoimentos de pelo menos sete pessoas envolvidas – as oitivas estão marcadas para esta sexta e a próxima terça-feira (26). Com os documentos, a PF vai abrir um inquérito e entrar na investigação.

A PF também recebeu uma representação da aposentada Cleuzenir Barbosa, candidata nas eleições passadas que diz ter se recusado a entrar no esquema dos laranjas.

Na quinta-feira (21), a defesa do ministro entrou com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a investigação envolvendo as supostas candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais suba para a Suprema Corte.

Os advogados alegam que os supostos crimes ocorreram durante o mandato de Marcelo Álvaro Antônio , que era deputado federal pelo estado, e em função do mesmo, uma vez que o suposto desvio de verbas das candidaturas laranjas seria para bancar a reeleição do agora ministro, que acabou sendo o deputado mais votado em Minas Gerais. Portanto, o político teria prerrogativa de foro especial. O relator do pedido será o ministro Luiz Fux.

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Segundo denúncias do jornal Folha de S.Paulo , o parlamentar foi beneficiado por candidatas laranjas do PSL, que repassavam o dinheiro do fundo eleitoral para a campanha do agora ministro. 

A professora aposentada Cleuzenir Barbosa disse ao jornal que o hoje ministro sabia do esquema de candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais. Ela foi uma das candidatas da sigla no estado.

“Era o seguinte: nós mulheres iríamos lavar o dinheiro para eles. Esse era o esquema. O dinheiro viria para mim e retornaria para eles”, disse. Ela ainda acusou assessores do ministro de ameaça.

"Me mudei [para o exterior] exclusivamente por causa dessa situação. Peço para as mulheres que denunciem. Não fiquem caladas, se exponham, sim. Eu vou entrar com pedido de proteção à vítima. Esse povo é perigoso. Hoje eu sei, eles são uma quadrilha de bandidos."

Uma outra reportagem da  Folha de São Paulo  revelou que o ministro  teria repassado verbas de campanha a quatro possíveis candidatas laranjas de Minas Gerais. Os repasses também teriam sido autorizados pelo ex-presidente do PSL Gustavo Bebianno, que acabou sendo exonerado do cargo de secretário-geral da Presidência por Jair Bolsonaro. 

Marcelo Álvaro Antônio negou as acusações. “A denunciante foi chamada a prestar esclarecimentos em diversas ocasiões e nunca apresentou provas ou indícios que atestassem a veracidade das acusações”, disse o ministro. Ainda de acordo com o político, Cleuzenir foi "aposentada por sentença judicial que reconheceu distúrbios psiquiátricos incapacitantes total e permanentes."

Apesar do escândalo, Marcelo Álvaro Antônio parece estar seguro no cargo. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni , disse, em entrevista à Radio Gaúcha, que o governo não pensa em exonerar o  ministro do Turismo . “A questão de Minas Gerais está sendo apurada. O governo observa. É preciso dar tempo que esclarecimentos apareçam e se tiver alguma coisa o presidente vai tomar uma decisão”, disse Onyx,