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Para Michel Temer, é preciso dar crédito a atual mandatário, pois ele "tem pouco tempo de governo"; FHC fala em mediação e envolvimento da família

Governo Bolsonaro vira pauta entre os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, em entrevista em rádio
Reprodução/Youtube
Governo Bolsonaro vira pauta entre os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, em entrevista em rádio

Os ex-presidentes da República Michel Temer (MDB) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se reuniram, no início da tarde desta segunda-feira (18), para comentar os desafios pelos quais vem passando o governo Bolsonaro. Para Temer, é preciso dar crédito a Bolsonaro: 'tem pouco tempo de governo'. FHC, por sua vez, ressaltou a necessidade de mediar os conflitos. 

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"Ele passou 18 dias no hospital, ficou em Davos [no Fórum Econômico Mundial], tem pouco tempo. Tem que dar crédito", afirmou Temer, quando questionado a respeito da crise no governo Bolsonaro , envolvendo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que pode ser exonerado ainda nesta segunda. "É natural ter crise. Governo sem crise é governo sem ação", afirmou. 

As declarações foram dadas em uma entrevista à Rádio Bandeirantes , com ambos os ex-presidentes. Sob a mesma pergunta, FHC  defendeu que o presidente da República deveria afastar seus amigos e familiares da condução do governo, e atuar mais como "árbitro" de diferentes setores governo, do que como "torcedor"

"É preciso ser muito mais árbitro que torcedor. Você torce com o coração, você tem de se conter. As suas decisões precisam ir de acordo com o melhor para o País, não para o seu partido, para os seus amigos, ou para a sua família", disse o tucano. Para ele, é "grave" quando a crise envolve diretamente o gabinete presidencial, e mais ainda quando a família do presidente está envolvida.

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"Se começarmos com mensagens pessimistas, estamos atrapalhando não é o governo, é o Brasil", disse Temer , afirmando que uma crise deve 'sair pequena de um gabinete presidencial', o que se faz por meio do diálogo. "Especialmente com aqueles que se opõem", alertou.

Quando perguntado sobre o feedback que recebiam enquanto presidentes, Temer e FHC riram da expressão: "No fim do dia, todo o presidente precisa de um copo de whisky e de um bajulador". No entanto, ambos afirmaram que são as críticas que fazem um presidente ter um bom desempenho no cargo. 

"Algumas pessoas chegavam e diziam: você foi mal hoje. É útil porque você se recupera. Quando todo mundo diz que você foi bem, você não melhora", afirmou Temer. "É óbvio que o presidente não pode se deixar levar pelos mais próximos. Não basta, ter família é uma coisa, amigos. Tem que saber ouvir", disse FHC.

Ambos concordaram também quanto ao mérito dos recuos presidenciáveis. Para eles, quem volta atrás soube ouvir a opinião alheia e, por isso, trata-se de um fenômeno democrático. 

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"A meu modo de ver, quando você recua de uma posição, não significa falta de autoridade, significa autoridade democrática, você toma outro caminho sem prejudicar os interesses do País", defendeu Temer. "Só gente segura toma a decisão de voltar atrás", afirmou FHC, citando os recentes recuos do governo Bolsonaro