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Defesa pediu para depoimento de Marluce Quadros ser adiado, mas juiz fixou prazo para matriarca da família Vieira Lima responder por escrito

Dinheiro encontrado em
Divulgação/Polícia Federal
Dinheiro encontrado em "bunker" de Geddel Vieira Lima foi maior apreensão da Polícia Federal: R$ 51 milhões

Marluce Quadros Vieira Lima, mãe do ex-ministro Geddel e do ex-deputado Lúcio Vieira Lima, faltou ao depoimento marcado para a tarde desta sexta-feira (15) na 10ª Vara Crirminal do Distrito Federal, em Brasília. Esta já é a segunda vez que Marluce não vai à audiência.

A mãe de Geddel seria ouvida no âmbito de  ação que apura a origem dos R$ 51 milhões encontrados pela Polícia Federal, em 2017, em um  bunker da família Vieira Lima em Salvador (BA). 

A defesa de Marluce, no entanto, alegou no fim da tarde de ontem, já após o término do expediente na Justiça Federal, que ela não poderia comparecer à audiência por "determinação médica" e pediu que o depoimento fosse mais uma vez adiado. Os advogados já haviam apresentado outro atestado, de 90 dias, no fim de outubro.

O juiz substituto da 10ª Vara, Ricardo Soares Leite, rejeitou o pedido da defesa e determinou que Marluce responda aos questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) por escrito.

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O magistrado justificou a decisão destacando a "atenção aos princípios da celeridade, lealdade processual, busca da verdade real, ampla defesa e contraditório, bem como o interesse de resguardar a saúde da acusada, garantindo sua integridade física e psíquica".

O juiz deu prazo de dez dias – a serem contados a partir da próxima segunda-feira (18) – para os procuradores e também para os advogados da defesa formularem suas perguntas. Após o recebimento, Marluce terá 15 dias para apresentar suas respostas.

Marluce Quadros Vieira Lima foi denunciada inicialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), junto aos filhos Geddel e Lúcio e mais três pessoa: o ex-assessor parlamentar de Lúcio, Job Brandão; o ex-aliado de Geddel no diretório do MDB na Bahia Gustavo Pedreira do Couto Ferraz; e o empresário Luiz Fernando Machado da Costa Filho, sócio da construtora Cosbat.

A parte da ação que se refere a Marluce foi desmembrada da ação original e enviada à primeira instância da Justiça justamente porque a matriarca dos Vieira Lima não pôde ser interrogada e o relator do caso no STF, ministro Edson Fachin, não queria que o caso ficasse parado.

Essa ação contra Marluce, Geddel , Lúcio e os três demais réus apura supostos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo os R$ 51 milhões que estavam escondidos em apartamento em Salvador. A Procuradoria-Geral da República (PGR) alega que parte dos valores foram empregados pelo grupo na compra e revenda de imóveis de alto padrão na capital baiana como meio de ocultar suas origens.